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As notícias sobre “apagão” de engenheiros foram exageradas

Não é preciso ser engenheiro nem ter um na família para se lembrar de ter lido em algum momento que o Brasil necessita com urgência de mais formados na área, sob o risco de viver um “apagão” desses profissionais. Bem, as notícias e as previsões nesse sentido foram um tanto quanto exageradas, defendem três artigos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicados nesta semana .

“Dadas as tendências de formação de engenheiros e as projeções de demanda por esses profissionais no mercado de trabalho, risco de apagão só haveria se o Brasil crescesse em padrões indianos ou chineses por toda a década de 2011-2020”, diz um desses estudos, feito em colaboração com professores da Universidade de São Paulo (USP).

As avaliações surgem em meio aos rumores de que o governo poderia, a exemplo do programa Mais Médicos, importar profissionais para suprir a carência brasileira em cidades pequenas, em uma espécie de “Mais Engenheiros”.

A ideia defendida pelos novos textos é de que a desaceleração da economia brasileira – não prevista nas estimativas que falam em completo apagão – seria o primeiro fator a tornar furadas as previsões mais alarmistas.

O segundo seria, ainda de acordo com o Ipea, o boom nas matrículas na área. De 2000 a 2012, o número de ingressantes no ensino superior em geral aumentou 120% no país. Em engenharia, esse crescimento foi de 381%.

A expansão permitiu que, em 2011, as engenharias superassem pela primeira vez os cursos de direito em matrículas.

Confira a seguir 5 trechos de um dos artigos do instituto que apontam que os problemas da engenharia hoje são mais de curto prazo, e defendem que o país precisa mesmo é de mais qualidade na formação de estudantes para dar conta dos desafios que virão:

1) Não haveria escassez porque salários não aumentaram mais que a média do ensino superior

O que diz o estudo: “Contradizendo o senso comum, a evidência empírica não parece indicar cenários de escassez, ao menos não de maneira generalizada. No que concerne particularmente às engenharias, os salários, principal indicador de escassez, de fato não têm apresentado um comportamento destoante de outras profissões de nível superior”.

“Dadas as tendências de formação de engenheiros e as projeções de demanda por esses profissionais nomercado de trabalho, risco de apagão só haveria se o Brasil crescesse em padrões indianos ou chineses por toda a década de 2011-2020”, diz um desses estudos, feito em colaboração com professores da Universidade de São Paulo (USP).

As avaliações surgem em meio aos rumores de que o governo poderia, a exemplo do programa Mais Médicos, importar profissionais para suprir a carência brasileira em cidades pequenas, em uma espécie de “Mais Engenheiros”.

A ideia defendida pelos novos textos é de que a desaceleração da economia brasileira – não prevista nas estimativas que falam em completo apagão – seria o primeiro fator a tornar furadas as previsões mais alarmistas.

O segundo seria, ainda de acordo com o Ipea, o boom nas matrículas na área. De 2000 a 2012, o número de ingressantes no ensino superior em geral aumentou 120% no país. Em engenharia, esse crescimento foi de 381%.

A expansão permitiu que, em 2011, as engenharias superassem pela primeira vez os cursos de direito em matrículas.

Confira a seguir 5 trechos de um dos artigos do instituto que apontam que os problemas da engenharia hoje são mais de curto prazo, e defendem que o país precisa mesmo é de mais qualidade na formação de estudantes para dar conta dos desafios que virão:

1) Não haveria escassez porque salários não aumentaram mais que a média do ensino superior

O que diz o estudo: “Contradizendo o senso comum, a evidência empírica não parece indicar cenários de escassez, ao menos não de maneira generalizada. No que concerne particularmente às engenharias, os salários, principal indicador de escassez, de fato não têm apresentado um comportamento destoante de outras profissões de nível superior”.

2) Se houver escassez, ela será resolvida com o boom no ensino superior

O que diz o estudo: Entre 2000 e 2012, “o PIB real cresceu a uma taxa anualizada média de 3,4% ao ano, enquanto o total de formados em cursos de engenharia cresceu a uma taxa de 8,7% ao ano”. A falta de engenheiros no mercado, “se ora existente, tende a se esgotar no longo prazo”.

3) O que faltam hoje são engenheiros experientes

O que diz o estudo: “em 2009, a participação no mercado de trabalho de profissionais técnico-científicos com idade entre 35 e 50 anos caíra de forma expressiva em relação a 2000. Assim, o déficit de engenheiros percebido pelas empresas pode não ser exatamente um déficit de quantidade de engenheiros, e sim, uma dificuldade em se encontrar engenheiros mais experientes (entre 35 e 59 anos) para liderar obras e projetos”.

A culpa, segundo o texto, é “do hiato geracional” entre os anos 80 e 90, quando obras ficaram paralisadas, o Brasil cresceu pouco e a carreira era desprestigiada.

4) Se houvesse qualidade, empresas reclamariam menos de escassez

O que diz o estudo: “mais de 40% dos engenheiros formados são oriundos de cursos de engenharia conceitos 1 e 2 (baixo desempenho) do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Em contraste, segundo os mesmos autores (Gusso e Nascimento), não mais que 30% dos alunos se formam em cursos tidos como melhores, sejam estes os que obtêm conceitos 4 ou 5 no Enade”.

No ano passado, matéria de EXAME já havia mostrado que a qualidade é um dos principais desafios para criar engenheiros empreendedores e estimular a inovação no Brasil.

5) Mesmo assim, autores defendem investimento

O que diz o estudo: “A não existência de gargalos não significa absolutamente que não haja necessidade de ampliar os investimentos na ampliação do ensino de engenharia, particularmente nas universidades públicas. Como mostramos no início do texto, a engenharia está intimamente ligada ao desenvolvimento econômico e à inovação e o Brasil apresenta baixo índice de engenheiros por habitante ou por formados no ensino superior. Ademais, a formação em engenharia capacita a pessoa a inúmeras atividades, dentro ou fora daquelas chamadas típicas”.

Fonte: Exame

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