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Nobel de Química defende ciência básica na UnB e prega persistência em pesquisas

O Prêmio Nobel de Química, pesquisador norte-americano Martin Chalfie, defende a ciência básica como caminho para grandes descobertas, e critica a pressão por quantidade de publicações acadêmicas, em detrimento da qualidade do que é divulgado. Chalfie, que é professor da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, recebeu hoje (25) o título de doutor honoris causa da Universidade de Brasília e deu palestra para estudantes, professores e admiradores. A eles, o Nobel deu um recado: que não desistam das pesquisas e sejam persistentes.

Chalfie defende que a chamada ciência básica – que se faz para aquisição de novos conhecimentos, que parte de uma inquietação – não deve ser deixada de lado por uma valorização apenas da ciência aplicada, voltada para um problema específico, em uma definição simples. Para que ela seja mantida, o pesquisador defende que o estado contribua com o desenvolvimento dos projetos.

“O apoio do governo à ciência é muito importante. Usualmente, as empresas fazem pesquisa, mas é para objetivos específicos: querem desenvolver um remédio ou industrializar algo”, diz. “Nos Estados Unidos, o principal mantenedor da ciência é o governo nacional. As empresas dão muito, mas não chega ao que é investido pelo governo”.

O Nobel de Química também critica a pressão por quantidade de publicações. No seu entender, “é importante o conteúdo, o teor; não a quantidade. Sobre a pressão por publicar, acredito que as pessoas precisam publicar os resultados. É importante disseminar, as pessoas precisam dos resultados para pensar. Mas [os pesquisadores] poderiam concluir os trabalhos e não focar [na pressa em publicá-los]”.

Chalfie se dirigiu aos pesquisadores presentes e os incentivou a insistirem nas pesquisas, mesmo que os resultados não sejam os esperados. “Se você fizer um experimento e confirmar a sua hipótese, faz uma medição. Se fizer um experimento e refutar sua hipótese, você faz uma descoberta. Descoberta é aquilo que fomenta o avanço da ciência. Para fazê-la é preciso ser teimoso, insistir”, enfatizou.

“Geralmente gostamos de fazer relatos científicos que não tomem muito tempo, e não falamos dos problemas ocorridos, apenas do lado bom”, acrescenta e brinca que as descobertas em químicas são feitas jogando-se o material no chão, jogando-o fora.

Ele conta a história do também Nobel de Química Osamu Shimomura. Foi jogando o material no qual trabalhou durante todo um dia – com exaustão, sem conseguir um resultato – na pia, que ele conseguiu combiná-lo quase acidentalmente a outra substância, o que deu o impulso inicial para os trabalhos com a chamada Proteína Verde Fluroescente, que renderam a Shimomura e a Chalfie o Prêmio Nobel.

Chalfie também destaca a importância do trabalho em equipe, e relata que foi quando publicou o trabalho e, antes disso, quando o ofereceu a outros pesquisadores, que outras aplicações surgiram, ampliando o escopo da descoberta.

O Nobel foi premiado em 2008 pela descoberta da Proteína Verde Fluorescente como marcador biológico. É possível injetá-la em organismos vivos, como microrganismos, minhocas, e fazer estudos que antes só eram possíveis com os organismos mortos. A utilização do marcador foi expandida em cerca de 160 trabalhos publicados após a descoberta.

Perguntado o que ainda falta ser desenvolvido na química, ele responde: “Esta é uma pergunta difícil [de responder]. Se eu soubesse, estaria ganhando meu próximo Prêmio Nobel”.

A iniciativa de trazer o pesquisador foi do Decanato de Pesquisa e Graduação da Universidade, em parceria com a biofarmacêutica AstraZeneca e o Nobel Media, empresa responsável por levar premiados pelo Nobel a universidades e centros de pesquisa.

Fonte: Agência Brasil

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