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Nicolelis diz que esqueleto-robô da Copa cumprirá objetivos iniciais

O pesquisador Miguel Nicolelis explica que desenvolve o conceito de interface cérebro-máquina desde 1999 e que toda a sua pesquisa foi direcionada, inicialmente, para estudar a melhor forma de se restaurarem movimentos dos membros superiores.

“Depois de mais de uma década de investigação, nós concluímos que registros neurais intracranianos oferecem, sem dúvida alguma, a melhor opção para restaurar movimentos de braços e mãos em pacientes que sofrem de paralisia desses membros.”

Segundo Nicolelis, quando o Projeto Andar de Novo foi idealizado, decidiu-se que o primeiro grande desafio seria desenvolver uma tecnologia que permitisse restaurar os movimentos de membros inferiores, não superiores.

“O objetivo dessa primeira missão é permitir que pacientes paraplégicos readquiram a capacidade de deambular autonomamente e, consequentemente, experimentem uma melhora significativa da sua qualidade de vida.”

Ele explica que ao comparar os métodos disponíveis para utilização da atividade cerebral como fonte de controle de um exoesqueleto robótico de membros inferiores, chegou-se à conclusão de que um método não invasivo, baseado em registros eletroencefalográficos (EEG), seria suficiente para cumprir os objetivos iniciais propostos.

“É uma escolha bastante natural, já que interfaces cérebro-máquina baseadas no registro de EEG começaram a ser descritas desde o final dos anos 1990, e em nada diminui a relevância científica ou clínica da nossa iniciativa.”

O pesquisador diz que a escolha do método de registro da atividade cerebral não tem relação com a capacidade (ou não) do cérebro de incorporar o exoesqueleto como uma extensão dos seus próprios corpos. “Esse fenômeno, que já foi demonstrado em todos os nossos oito pacientes, se dá por meio da sincronização dos sinais de feedback visual e tátil enviados do exoesqueleto ao paciente.”
O cientista afirma que o exoesqueleto é o primeiro a usar uma “pele artificial” para gerar um fluxo contínuo de feedback tátil ao seu usuário. “É esse feedback que garante que o cérebro passará a tratar o exoesqueleto como se ele fosse uma parte do corpo de cada paciente que utilizá-lo rotineiramente.”

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

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