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Nicolelis acusa Fifa de cortar exibição de paraplégico na Copa

Um dia após o pontapé inicial simbólico da Copa do Mundo, dado por um paraplégico utilizando uma veste robótica, o líder do projeto de desenvolvimento do exoesqueleto, o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, acusou a Fifa de ter impedido que a demonstração do projeto Andar de Novo fosse transmitida na íntegra.

A exibição do chute na televisão, durante a cerimônia de abertura, durou cerca de três segundos.

O neurocientista utilizou seu perfil no Twitter para responder a críticos, agradecer a apoiadores e anunciar que os objetivos do projeto foram cumpridos: “O que foi prometido, foi entregue. Depois de 17 meses de trabalho insano, a missão foi cumprida integralmente”, escreveu. Afirmou ainda que a responsabilidade pela transmissão era toda da Fifa.

Segundo Rodrigo Fonseca, diretor da Finep, órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação que financiou o projeto em R$ 33 milhões, o prometido era diferente. “Estávamos informados que a pessoa iria levantar, caminhar e dar o chute na bola”, diz.

Fonseca disse também que a Fifa não permitiu que a marca da Finep fosse estampada no exoesqueleto. “Ela faz um controle das marcas que aparecem.”

No entanto, Fonseca afirma que diante das limitações impostas pela abertura, o resultado foi bom. “O importante era mostrar ao público que era possível.” Ele ressalva que o órgão não teve nenhuma participação nos preparativos da abertura da Copa.

No evento, no dia 12, o atleta Juliano Pinto, 29, que é paraplégico, foi transportado por um carrinho até a beira do campo do Itaquerão utilizando o exoesqueleto batizado de BRA-Santos Dumont 1. Amparado por duas pessoas que seguravam em hastes na lateral da veste, seu único movimento foi mover o pé direito e tocar em uma bola colocada bem à sua frente.

Em entrevistas e artigos, Nicolelis declarava que o exoesqueleto daria passos e no material de divulgação do projeto, uma pessoa levanta da cadeira de rodas e anda.

Um texto no site oficial da Copa, publicado no dia 9 de junho, afirma que “um paciente paraplégico, movimentando uma veste robótica controlada pela atividade cerebral (exoesqueleto), irá se levantar de uma cadeira de rodas, caminhar por cerca de 25 metros no campo e dar o primeiro chute da Copa”.

RESPOSTA

Apesar das críticas de Nicolelis, a assessoria de imprensa da Fifa informou que a demonstração do dia 12 foi rigorosamente igual à que aconteceu nos dois ensaios gerais antes da abertura.

Nem nos ensaios nem na demonstração o exoesqueleto deu qualquer passo.

A Fifa informou que no roteiro da abertura foram concedidos 30 segundos para a demonstração do BRA-Santos Dumont 1 e isso foi cumprido. O fato de a demonstração não ter aparecido na TV não dependia da federação.

A Fifa informa que houve preocupações com o uso de cadeira de rodas ou do exoesqueleto no campo, porque isso poderia prejudicar o gramado antes do jogo.

“Quando a ideia [da demonstração] chegou até nós, o projeto da cerimônia já estava pronto e sendo ensaiado. Nós recebemos o pedido, adaptamos, encontramos um lugar e integramos o exoesqueleto na abertura”, disse uma fonte da Fifa.

Fonte: Folha de São Paulo

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