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Negócios inovadores e sustentáveis

Christina Marule é dona de uma pequena mercearia na zona rural da África do Sul. Há cinco anos ela era obrigada a manter seu filho fora da escola enquanto se locomovia até o mercado mais próximo, uma viagem de meio dia, para comprar produtos para vender em sua loja. Hoje, ela administra os estoques via mensagens de texto enviadas de um dispositivo móvel. Seu filho voltou para a sala de aula. Essa é uma história de determinação pessoal, mas também de um progresso real.

Movidas pela inovação e a ambição determinada de toda uma nova geração, histórias como essa estão transformando modelos de negócios e cadeias de valor inteiras. Para os futuros líderes do mundo, comportamento sustentável tem a ver tanto com a educação do filho de Christina quanto com a proteção das reservas mundiais de água potável. Cabe aos líderes de hoje ligar os pontos.

Em uma recente pesquisa, 84% dos integrantes da geração Milênio (nascida entre 1980 e 1993) disseram que se preocupam mais em fazer uma diferença positiva do que com o reconhecimento no ambiente de trabalho. Esses jovens profissionais são os mesmos consumidores que se preocupam mais com a finalidade do que com a embalagem ou preço. Eles são criativos e estão preocupados e impacientes para ter oportunidades de fazer a diferença. Seus termos são claríssimos: modelos de negócios inovadores que façam o mundo funcionar melhor e melhorar a vida das pessoas – caso contrário, serão deixados para trás por aqueles que fazem isso.

Durante a recente reunião anual da Clinton Global Initiative, estive junto de alguns ilustres palestrantes para falar sobre a escassez de recursos no mundo. Muitas estatísticas são simplesmente inquestionáveis.

Hoje, a ONU reportou que 870 milhões de pessoas no mundo estão desnutridas. Mais de 10% da população mundial não têm acesso a uma fonte de água segura e mais de 2 bilhões de pessoas carecem de saneamento adequado. Enquanto discutimos esses desafios, a população mundial continua crescendo dos atuais 7 bilhões para mais de 9 bilhões em 2050. Apesar desses e outros números convincentes, muitas organizações ainda acreditam que a sustentabilidade é pouco mais que um apêndice em um relatório anual.

A realidade é que as práticas sustentáveis são o alicerce de modelos de negócios que vão vencer, crescer e ganhar escala.

Pense no que está acontecendo na indústria automobilística com carros conectados. As principais fabricantes entenderam que o interesse do consumidor passou do caráter sexy para o inteligente. Não importa para a geração Y que os automóveis possam ir de 0 a 100 em cinco segundos se eles não puderem pagar o combustível e seus passeios prejudicarem o planeta. A mobilidade interconectada é a nova proposta de valor que oferece aos jovens condutores eficiência no consumo de combustível, informações em tempo real, acesso a redes sociais e seguro proporcional em um único produto. Para cumprir essa promessa, é necessária a colaboração entre setores, para promover a coinovação que atenda à demanda do consumidor com responsabilidade.

Isso também é verdade para os processos de negócios.

A Danone, maior fabricante de iogurte do mundo, tem mais de 100 mil funcionários nos cinco continentes. A empresa agora utiliza a emissão de carbono como um agente que busca eficiência em toda sua cadeia de suprimentos. Com uma tecnologia avançada, esses agentes automaticamente capturam e analisam dados sobre as emissões em todo o processo de fabricação. Ajudando a economizar energia, eles melhoram os resultados de negócio e garantem maior fidelidade à marca entre os consumidores orientados por esse propósito.

Salvar o mundo se tornou uma estratégia de negócios de sucesso.

Andrew Liveris, presidente e diretor executivo da Dow Chemical Company, diz que as maiores empresas do mundo têm a responsabilidade de liderar essa transformação. Ele está absolutamente certo e transformou a Dow em um estudo de caso com elevados padrões em toda a sua cadeia de suprimentos. Outras empresas estão seguindo o exemplo da Ariba Business Network – uma cadeia de suprimentos virtual que controla o cumprimento das normas e avalia o desempenho de empresas em todo o mundo.

Na SAP, fizemos uma grande aposta no poder de dados transparente e no comportamento orientado pela rede. Hoje, qualquer funcionário pode monitorar o desempenho da empresa em relação às emissões de carbono, mulheres na administração e viagens de negócios. Deixar de viajar e, em vez disso, realizar uma videoconferência é algo relevante e todos os funcionários podem fazer essa diferença.

Essas medidas se baseiam na nossa capacidade de continuar transformando a companhia. É por isso que, quando reportamos a performance anual dos nossos negócios, integramos nosso desempenho na área de sustentabilidade. Nossos acionistas admiram o fato de que funcionários engajados e receitas operacionais estejam intrinsecamente associados (para cada 1% de redução na rotatividade de funcionários, a SAP economiza € 62 milhões). Se envolvermos as pessoas nas decisões que as empresas fazem, a mudança será mais significativa do que imaginávamos. Esse é o melhor exemplo de sustentabilidade.

O engajamento começa e termina com o atendimento de clientes como a Christina Marule. Histórias como a dela estão se repetindo na África – e na Ásia, Europa e América. O filho de Christina e milhões como ele vão crescer em um mundo melhor e um dia terão a oportunidade de viver seus próprios sonhos.

Muitos dos colegas da minha geração estão desanimados, pensando que vamos deixar para os mais jovens um mundo pior do que o que herdamos. Sabe o que mais? Eles não nos deixarão fazer isso! Eles foram criados com muitas ferramentas que permitem reverter tendências. Mobilidade. Big Data. Redes sociais. Vamos levar a inspiração de nossos herdeiros e coinovar com jovens sonhadores para criar uma nova era de crescimento responsável que proteja o planeta e beneficie todos.

Fonte: Valor Econômico

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