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Na abertura da Copa, paraplégico deve dar pontapé inicial

O dia 13 de julho de 1930 entrou para a história como a data dos primeiros jogos de uma Copa do Mundo. Duas partidas aconteceram simultaneamente. Uma entre as seleções da França e do México e a outra entre as seleções dos Estados Unidos e da Bélgica, ambos os jogos na cidade deMontevidéu, no Uruguai.

Depois de 84 anos, uma nova Copa do Mundo pode entrar para a história, agora por um motivo um pouco diferente. Desta vez, em São Paulo, o pontapé inicial da competição será dado por um paraplégico.

A proeza será possível graças às pesquisas científicas de um brasileiro: Miguel Nicolelis. Formado em medicina pelaUniversidade de São Paulo e professor da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, o neurocientistas Nicolelis vem trabalhando no projeto Andar de Novo há anos para que um paraplégico dê o primeiro chute da Copa do Mundo no Brasil.

Para isso, será usado um exoesqueleto (veja imagens na galeria acima). Ele será uma espécie de veste robótica que irá captar a atividade cerebral e transformá-la em movimentos. O exoesqueleto foi apelidado de BRA-Santos Dumont 1.

Ele irá envolver o corpo do adulto que dará o chute na abertura, que acontecerá amanhã. O exoesqueleto pesa aproximadamente 70 quilos. Tem um giroscópio que ajuda o esqueleto a encontrar o ponto de equilíbrio e um computador na parte traseira que faz a análise dos impulsos captados por uma touca. São esses impulsos que são transformados em ordens de movimento, que a veste cumpre.

Um dos pontos mais avançados do exoesqueleto é a sua pele artificial, sensores capazes de entender quando o pé encosta no chão. Ele entende quanta pressão é exercida, para que o movimento ocorra de maneira apropriada.

Para as pesquisas, Miguel Nicolelis recebeu um investimento de 33 milhões de reais. A verba veio do governo federal, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, repassado pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).

Em entrevista à agência Reuters, Nicolelis afirmou que os testes foram bem sucedidos. “Nós temos primeiro a confirmação de que a ideia que foi proposta é factível, que ela é realizável, e ontem [dia 28 de maio] nós realizamos o teste da demonstração que nos foi pedido para a abertura da Copa, e conseguimos realizar como planejado”, disse Nicolelis.

“Agora nós vamos nos preparar para as condições de fazer num campo de futebol, com todos os dados que nós coletamos ao longo desses meses”, disse.

Contra-ataque

Enquanto Nicolelis busca o gol, outros pesquisadores não apoiam com tanta energia a jogada do cientista. Membros da comunidade internacional enxergam o projeto com desconfiança.

Um ponto frequentemente abordado é a falta de publicação de resultados em revistas científicas em testes com humanos. Nicolelis costuma publicar trabalhos sobre experimentos feitos com símios e ratos.

Para o bem ou para o mal, na abertura da Copa do Mundo, o resultado será visto por milhões de pessoas ao vivo e isso virá antes de um artigo científico.

Fonte: Exame

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