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Mulheres duram pouco no alto escalão da tecnologia

A dificuldade para se ter mais mulheres trabalhando nos setores da ciência e da alta tecnologia vem merecendo muita atenção atualmente nos Estados Unidos. Um novo programa de orientação para mulheres que querem ser cientistas acaba de ser lançado e, durante o Super Bowl, foram veiculados anúncios de brinquedos educativos desenhados para mulheres.

Mas manter as mulheres nesses campos de atividade e ajudá-las a chegar ao topo pode ser um grande desafio. De acordo com estudo divulgado semana passada pelo Centro para Inovação de Talentos (CTI), grupo de pesquisa fundado pela economista Sylvia Ann Hewlett, as mulheres norte-americanas que trabalham nos setores de tecnologia e ciência têm 45% mais possibilidade de abandonar o setor no prazo de um ano quando comparadas a colegas do sexo masculino.

Além disto, segundo um terço dos líderes do alto escalão – tanto homens como mulheres –, que trabalham nas áreas de tecnologia, engenharia e ciências, uma mulher nunca chegaria a um alto cargo em suas empresas. “Mesmo aqueles que ocupam altos cargos na empresa e que estariam em posição de realizar mudanças dentro da companhia, favorecendo as mulheres, não acham que podem fazer alguma coisa”, disse Laura Sherbin, diretora de pesquisa da CTI. Neste caso, “o que resta?”, pergunta.

O estudo é uma atualização de outro realizado em 2008 pelo CTI sobre mulheres que trabalham no setor de alta tecnologia. Este também havia concluído que há um êxodo das mulheres nestas áreas.

O levantamento mais recente foi feito com 5.685 adultos formados em universidades com experiência em alguma empresa de tecnologia, engenharia ou ciências, no setor privado; 2.349 dos entrevistados eram mulheres.

Países emergentes. Uma diferença fundamental entre os dois estudos é que a pesquisa este ano também examinou as experiências de mulheres que trabalham em empresas de ciência e tecnologia em países emergentes. Os resultados nestes países também foram decepcionantes. Mais de um quarto das mulheres nos Estados Unidos que trabalham nesses setores consideram que suas carreiras estão estagnadas, ao passo que na Índia a proporção de mulheres com essa sensação é de 45%.

Nos Estados Unidos 32% das mulheres que trabalham em empresas de tecnologia e ciência afirmam que provavelmente deixarão o emprego no prazo de um ano. A porcentagem é praticamente a mesma na China.

De acordo com o estudo, preconceitos de gênero também são um fator pelo qual as mulheres acham que não conseguirão avançar na carreira ou preferem deixar as empresas em que trabalham. Um terço das mulheres americanas trabalhando em empresas em áreas “científica, de engenharia e de alta tecnologia” sentem-se excluídas das redes sociais nos seus empregos (na Índia são 53%). Por outro lado, 72% das mulheres nos Estados Unidos e 78% no Brasil acham que existe preconceito nas avaliações sobre seu desempenho.

Agressividade
Finalmente, 44% das mulheres americanas entrevistadas acham que são julgadas com base em critérios de liderança basicamente masculinos e obrigadas a assumir uma conduta difícil entre agressividade e assertividade que, com frequência, arruínam as suas carreiras.

Embora isso ocorra em muitos locais de trabalho, “é levado ao extremo nesses campos de atividade”, disse Laura Sherbin. Quando os líderes são todos homens, é muito difícil para uma mulher parecer, agir e se comportar como o líder que ela sucedeu.

Apesar de todas as notícias desencorajadoras, existem alguns pontos positivos. No estudo realizado este ano, poucas mulheres disseram que se sentem solitárias em suas equipes. Mais de 80% em cada país afirmaram que adoram seu trabalho. Mais da metade das mulheres nos Estados Unidos e uma grande maioria nos mercados emergentes, afirmaram ter ambições de chegar ao topo.

Além disso, a pesquisa mostrou que sua intenção de deixar estes setores, “claramente não é porque temem o trabalho duro”, concluiu Laura Sherbin. “Elas acham que sua carreira está estagnada e este sentimento se transforma numa total falta de esperança”, concluiu a pesquisadora.

Fonte: O Estado de São Paulo com informações do Washington Post

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