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Mobilidade estimula os avanços em tecnologia

O Brasil é o terceiro maior mercado de meios de pagamentos eletrônicos – atrás apenas de EUA e Europa -, segundo apontou o Relatório Mundial de Meios de Pagamento, elaborado pela Capgemini e pelo Royal Bank of Scotland (RBS). O estudo revela que o volume de pagamentos sem o uso de dinheiro em espécie subiu 9,4% em todo o mundo, chegando a US$ 366 bilhões de transações em 2013. O uso de cartões de crédito cresceu 9,9%, e o de débito, 13,4%. A consultoria destaca que, com o contínuo crescimento de pagamentos eletrônicos (e-payments) e móveis (m-payments), o setor de serviços financeiros tenta encontrar novas maneiras de satisfazer as demandas dos consumidores.

No Brasil, a mobilidade é o principal direcionador de inovação no setor, gerando novos arranjos de pagamentos. Isso tem se refletido na estratégia e no desenvolvimento de produtos de toda a cadeia de fornecedores de tecnologia: dos fabricantes de ATMs às empresas de processamento de cartões, adquirentes como Rede e Cielo, bandeiras como Visa e Mastercard, além de provedores de sistemas de segurança e detecção de fraudes.

“A tendência é de que o celular assuma um papel de protagonista e o chip dos dispositivos móveis ocupe o papel que hoje é dos cartões. Os bancos emissores estão anunciando novas aplicações o tempo todo, os adquirentes e as bandeiras também vêm adotando estratégias para mobilidade”, diz Carlos Alberto Pádua, vice-presidente de tecnologia da Diebold. A empresa adquiriu, há dois anos, a GAS, que tem uma solução de segurança para transações eletrônicas no internet banking e nos canais de mobilidade. “A Diebold tem investido bastante para que o celular interaja com outros canais. Todos os bancos estão avaliando essas soluções”, afirma Pádua.

A OKI oferece o ATM Adattis Mobicash para agilizar operações de saque, com o uso de smartphones e da tecnologia NFC (Near Field Communication), pela qual uma retirada pode ser preparada no celular, autenticada por biometria de voz e finalizada quando o cliente se aproxima do caixa eletrônico. Segundo João Lo Ré, gerente executivo de produto automações da OKI Brasil, o avanço da mobilidade é irreversível. “O uso do papel-moeda ainda vai durar muito, mas o crescimento de transações eletrônicas fará com que o celular, sem sombra de dúvida, se transforme no moedeiro eletrônico. Mas o Banco Central precisará, em algum momento, regulamentar a questão do lastro das transações entre dispositivos móveis”, afirma.

Os ATMs da OKI evoluíram para o modelo Adattis Recycler, permitindo que os depósitos feitos em dinheiro sejam creditados imediatamente e fiquem disponíveis para saques de outros clientes. Isso garante maior eficiência operacional e redução de custos de transporte de valores para os bancos com o reaproveitamento de cédulas depositadas.

A NCR também conta com tecnologia que permite que o cliente comece a transação via celular e finalize no ATM com o saque do dinheiro. Nos ATMs, a empresa lançou uma solução de depósito inteligente composto de um único módulo para cheques e dinheiro. O sistema separa o cheque e o dinheiro, exibindo as imagens para o depositante validar, e, por meio de impressão térmica, emite um extrato de dupla face com os dados na frente e as imagens dos cheques e cédulas atrás. “O Bradesco já adquiriu o equipamento e está em fase de testes”, diz Elias Silva, vice-presidente da NCR América Latina e Caribe.

A Cisco lançou a Caixa do Futuro, que une uma interface de teleconferência à estrutura de um caixa eletrônico. Por meio de vídeo em alta definição, permite que os clientes sejam atendidos virtualmente pelo profissional que tiver mais expertise na transação a ser efetuada.

Inovações também surgem nos elos representados pelas empresas de processamento de transações e de segurança. A Dinamo Networks, especializada em criptografia de dados, desenvolveu o Hardware Security Module (HSM) Dinamo, um appliance que funciona como um cofre para segurança de documentos eletrônicos e de assinaturas digitais. Hugo Costa, diretor-geral da ACI Worldwide, observa que está havendo um movimento de desintermediação financeira com ligação direta do consumidor ao varejo, viabilizado por contas pré-pagas no celular ou outros arranjos de pagamento regulamentados pelo BC, mas que exige novas tecnologias.

Fonte: Valor

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