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Ministério discute importação de médicos argentinos

A Argentina deverá ser um dos países fornecedores de médicos para o Brasil dentro do programa de importação de mão de obra que o governo da presidente Dilma Rousseff tenta implantar.

O secretário de Gestão de Trabalho e Educação do Ministério da Saúde, Mozart Sales, se encontra hoje com técnicos da chancelaria e do Ministério da Saúde do país vizinho. Sales e o governo argentino irão discutir os termos de uma carta de intenções entre os dois países, segundo comunicado da Presidência argentina..

De acordo com o comunicado do governo da presidente Cristina Kirchner, o Brasil “possui um baixo número de médicos por habitantes e busca reverter essa situação, por isso mantém reuniões com autoridades da Espanha, de Portugal e da Argentina. O objetivo é articular o processo de formação de profissionais da área da saúde”.

De acordo com dados do Banco Mundial, a Argentina tem uma relação de 3,2 médicos por grupo de mil habitantes, bastante superior à taxa brasileira, que é de 1,8 médico por mil pessoas. O país com a maior relação no mundo é Cuba, com 6,7 médicos por mil habitantes. Há alguns anos, a Argentina se tornou um destino para estudantes de medicina brasileiros: segundo avaliações privadas, cerca de 1.500 brasileiros se matriculam por ano nos 16 cursos de medicina na região da capital argentina.

Para exercer a profissão no Brasil, os médicos brasileiros que estudaram na Argentina precisam fazer a prova de equivalência conhecida como Revalida, que será modificada com a nova política.

Ontem à noite, em Brasília, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou a criação de uma comissão com especialistas para discutir o “aprimoramento” do programa Mais Médicos, que sofre duras críticas da classe médica. Participarão da comissão 11 diretores de faculdades e coordenadores de cursos de medicina, entre elas a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Paulista de Medicina. A comissão também conta com representantes dos ministérios da Educação e da Saúde.

Segundo Mercadante, o grupo terá quatro meses para discutir e encaminhar subsídios à proposta, já enviada pelo governo ao Congresso. A exigência de que os estudantes de medicina tenham que trabalhar obrigatoriamente no Sistema Único de Saúde (SUS) por dois anos depois da graduação – que passaria a durar oito anos, em vez dos seis atuais – é um dos pontos mais criticados pelo setor.

Questionado sobre se o governo estaria disposto a abrir mão, ou flexibilizar, essa exigência, Mercadante disse que “o governo não abre mão de oferecer mais médicos à população. Essa é a nossa proposta, estamos discutindo com especialistas e vamos lutar por essa concepção”.

Fonte: Valor Econômico

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