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Minas Gerais ganha recriação do maior dinossauro do Brasil

A reconstrução artística do monstro, que demorou seis meses para ficar pronta e custou R$ 120 mil, pagos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, tem 19 m de comprimento e conta com a companhia de um filhotão da espécie (com “apenas” 2,5 m) e de um dino carnívoro, um abelissauro, que espreita mãe e bebê nas cercanias do Museu dos Dinossauros.

“A reconstrução já nasce subestimada, não representa mais o tamanho real”, diz Luiz Carlos Borges Ribeiro, pesquisador da Universidade Federal do Triângulo Mineiro que coordenou a recriação do monstro.
Isso porque Ribeiro e seus colegas descobriram há cerca de um mês, no mesmo local onde a espécie fóssil foi identificada pela primeira vez em 2004, uma nova vértebra colossal (embora não esteja inteira, mede 65 cm). Feitos os cálculos, isso significa que o U. ribeiroi teria, na verdade, pouco menos de 25 m.

“Essas estimativas de tamanho costumam ser difíceis no caso dos nossos dinossauros, os quais, em geral, são descobertos em estado muito fragmentado”, diz Ismar de Souza Carvalho, paleontólogo da Universidade Federal do Rio de Janeiro que coordenou a descrição original da espécie na década passada.

“Por sorte, porém, no caso do Uberabatitan, nós temos bastante material –já saíram mais de 300 toneladas de rocha do sítio onde ele foi encontrado. Graças a isso, e com a ajuda de métodos comparativos que levam em conta o tamanho de outras espécies semelhantes, conseguimos uma estimativa desse tamanho maior”, diz Carvalho.

Segundo Borges Ribeiro, as escavações no sítio, que fica na BR-050 (entre Uberaba e Uberlândia), continuam produzindo novos achados. Com alguma sorte, poderia aparecer até um crânio –descoberta raríssima no caso dos saurópodes, como são conhecidos os dinos quadrúpedes, pescoçudos e devoradores de plantas entre os quais o U. ribeiroi se encaixa.

A criatura era um titanossauro (daí o “titan” em seu nome), saurópodes que se caracterizavam, entre outras coisas, pelos “calombos” ósseos que adornavam seu couro. Viveu há cerca de 70 milhões de anos, num ambiente relativamente árido, onde se sucediam grandes secas e inundações. Apesar do tamanho imponente para os padrões do Brasil, o U. ribeiroi tinha parentes muito maiores na Argentina.

Para Ribeiro, as reconstruções monumentais dos bichos são mais uma arma na tentativa de fomentar o turismo paleontológico na região de Uberaba, atividade que já ocupa um terço dos moradores de Peirópolis.
A reconstrução do titã mineiro começou com um desenho computacional, feito pelo paleoartista Rodolfo Nogueira. A partir daí, outro artista, Northon Fenerich, determinou as quantidades de metal (para o “esqueleto” do bicho), cimento e tecido impermeabilizante necessárias para completar a tarefa.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

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