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Mercosul entrega prêmios de divulgação científica no CNPq

Nesta quarta-feira, na sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), três brasileiros e um paraguaio receberam o prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia, cujo tema foi Popularização da Ciência. Foram premiadas iniciativas com potencial de desenvolver a ciência nos países-membros do Mercosul, nas categorias integração, jovem pesquisador, estudante universitário e iniciação científica.

O prêmio de Integração ficou com a jornalista e pesquisadora Luisa Medeiros Massarani, pelo projeto Monitoramento, Capacitação e Aprimoramento em Jornalismo Científico em Países do Mercosul, que tem por objetivo melhorar a cobertura científica na América Latina.

Em 2009, Luisa criou uma rede de 40 comunicadores, pesquisadores e divulgadores da ciência na América Latina. Os participantes são de 14 instituições de dez países, dos quais os cinco membros efetivos do Mercosul: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela.

“É um tripé. O projeto inclui pesquisa, para que possamos analisar as coberturas, capacitação e aperfeiçoamento. Nós unimos pessoas que estavam trabalhando de forma isolada, mas desenvolvendo projetos parecidos em diferentes países”, segundo Luisa.

Ela destacou que as pesquisas da rede mostram que a população quer se informar sobre ciência. “É um assunto que as pessoas gostam. Por meio de enquetes observamos que o percentual de interesse em ciência está próximo do interesse em esportes”, salientou.

Sobre os principais desafios do jornalismo científico na América Latina, a pesquisadora ressaltou a necessidade de os veículos olharem mais para o que está sendo feito na região, em vez de focar na ciência produzida pelos países desenvolvidos, que muitas vezes está distante da realidade local.

Na sua visão, “os telejornais dão ênfase para pesquisas nacionais. Os jornais impressos, muitas vezes, cobrem mais o que acontece no exterior. No Brasil, a presença da ciência de outros países do Mercosul e da América Latina é praticamente nula. Isso significa que, muitas vezes, estamos divulgando mais uma ciência menos relevante para a região, em vez de dar atenção para nossos vizinhos, com quem compartilhamos problemas e podemos compartilhar soluções”.

O estudante de engenharia ambiental da Universidade Federal de São Carlos, Renato Tadeu Rodrigues, 28 anos, foi o vencedor na categoria reconhecimento universitário. Ele desenvolveu o protótipo de uma plataforma digital colaborativa chamada Leva e Traz. O projeto viabiliza a divulgação da ciência para pessoas com diversos tipos de deficiência, que podem pedir explicações sobre temas científicos e ter as respostas no formato mais adequado.

“Um dos amigos com quem conversei, que tem deficiência auditiva, gostou da ideia e me incentivou a continuar. Ele disse que poderia contribuir com a tradução e legendagem de vídeos, artigos e reportagens para Libras (língua brasileira de sinais), permitindo que mais gente tenha acesso aos conteúdos”, disse Renato, que vai usar o dinheiro do prêmio para aprimorar a ideia e desenvolver outras.

“As pessoas acham que a ciência está distante delas e que requer muitos recursos para ser desenvolvida. Mas, na verdade, qualquer pessoa pode buscar soluções para os problemas de sua comunidade e encontrar soluções inteligentes, simples e baratas. Isso é ciência”, acrescentou.

Fonte: EBC

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