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Mais incentivo fiscal e esforço conjunto entre ministérios e agências é o caminho para IoT no Brasil

O benefício de desoneração do Fistel já tem cerca de um mês, mas as comunicações máquina-a-máquina (M2M) ainda precisam vencer desafios para começar a se difundir mais no Brasil, pavimentando o caminho para a Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês). A solução passaria por mais incentivos fiscais e inovações com comunicação em 3G, na opinião do diretor-executivo de negócios digitais da Telefônica/Vivo, Roberto Piazza, que esteve em São Bernardo do Campo (SP) nesta terça-feira, 7, para inaugurar o centro de pesquisa e inovação da operadora em parceria com o Centro Universitário da FEI com foco em IoT. “Baixar o Fistel é importante, mas não é o suficiente, acho que falta ao Ministério das Comunicações analisar qual a elasticidade da Internet das Coisas, baixando o imposto federal mais um tanto para permitir crescer, porque tem milhões de dispositivos conectados pagando mais ou menos R$ 0,50 por mês, e eu acho muito”, disse ele a este noticiário.

Na visão dele, é necessário também reduzir o ICMS “da mesma forma como tem política de banda larga popular”, além de elaborar um esforço conjunto para integrar diversos ministérios e agências em prol do desenvolvimento de smart grids multisserviços. “Ministério das Comunicações, das Minas e Energia, Anatel, Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), ANA (Agência Nacional de Águas) e ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) precisam trabalhar de forma conjunta para um medidor único inteligente, porque hoje os modelos regulatórios não se batem”, diz Piazza, referindo-se a um módulo que consiga medir água, energia e gás ao mesmo tempo. “Para um camarada fazer leitura de medidor elétrico, gasta R$ 1 ou R$ 2. Mas (com o medidor inteligente) a gente tem R$ 0,50 de imposto do Fistel, mais 25% de ICMS… Quanto sobra para que a empresa elétrica tenha incentivo de substituir a leitura em campo por um dispositivo?”, questiona.

Naturalmente, a Telefônica já se move para tentar apresentar uma solução viável. Uma das iniciativas é a de utilizar o kit de desenvolvimento de Internet das Coisas, que está disponível no centro de P&D com a FEI. A operadora também conversa com utilities para projetos na área, começando por um projeto piloto de smart metering multiutility em Águas de São Pedro (SP), onde a empresa conta com iniciativa de smart city. A ideia é utilizar um medidor inteligente de maneira semelhante ao projeto da O2, subsidiária do grupo espanhol na Inglaterra, e que foi estabelecido em parceria com o governo inglês. “A gente quer ver se consegue levar isso para um projeto de multituility, trazendo para uma pequena região e aí conseguir medir os ganhos”, diz.

Impulsionando mercado M2M

Ao contrário da maioria das conexões M2M no País, a tecnologia para a solução multisserviço da Telefônica seria de terceira geração (3G). “Posso subsidiar esse início, mas não quer dizer que o preço não vá cair. Nessa iniciativa da Inglaterra, tinha milhões de dispositivos conectados com 3G, a tendência é baixar o custo”, declara Piazza. Outro motivo é que a conexão consegue entregar qualidade de serviço (QoS), prioridades e garantia de SLA para esses serviços, enquanto para outros, de missão crítica, uma conexão dedicada possa ser mais eficaz. “O grande erro da indústria de telecom no passado foi não entender as necessidades das utilities e entregar qualquer coisa para elas”, diz. O diretor de inovação da empresa afirma ainda que outra preocupação com essas indústrias é a de garantir a segurança nas conexões, procurando isolar os sistemas operativos dos administrativos.

A iniciativa da operadora também tem como objetivo impulsionar ainda mais sua participação no mercado de M2M. Com pouco mais de 3 milhões de conexões (dados da Anatel de julho), a operadora conta com 32,6% do mercado, atrás da Claro, que detém 40,9%. Mas a Telefônica segue em ritmo forte, mostrando crescimento de 67,23% em 2014, contra 9,91% da primeira colocada. “Temos crescido de market share a todo mês, hoje temos menos de 8% de diferença do primeiro, há dois anos tínhamos 30%”, diz Roberto Piazza. A companhia não abre, no entanto, quanto dessa base é de POS e quanto de comunicação M2M sem interferência humana. Mas ressalta que ainda haverá grande demanda: “O mercado (total) de 8 milhões de M2M não é nada. Quantos dispositivos se tem em casa? Imagina com geladeira, fechadura.. Serão centenas de coisas conectadas na sua casa.

Fonte: TI Inside

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