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Líderes precisam valorizar a criatividade

A crise mundial está levando as escolas de negócios a acelerar o processo de revisão dos currículos dos cursos de formação de líderes. O objetivo é reciclá-los às necessidades cada vez mais complexas da inovação. Instituições como a Fundação Getúlio Vargas, o Ibmec, o Instituto Coppead de Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Fundação Dom Cabral incorporaram novas metodologias para enfrentar os desafios contemporâneos das empresas que, em um cenário mais competitivo, exigem método até para a criatividade. Formar competências que compreendam um mundo cada vez mais global, com demandas de protagonismo e um olhar mais diversificado, passa por aulas sobre prospecção de futuro, exercícios para o desenvolvimento da capacidade de escutar ou até um passeio pelo centro histórico de uma grande cidade para interagir com o consumidor e tentar tirar dele ideias que possam agregar valor aos negócios.

“O novo líder inovador de negócios tem que ser menos um especialista e mais um mobilizador de talentos”, diz Marta Pimentel, gerente-coordenadora dos programas abertos da Fundação Dom Cabral, a quase quarenta anos comprometida com a excelência na educação executiva. “Todo o conceito de educação está em xeque no mundo, inclusive o de formação de lideranças inovadoras. As pessoas perdem muito tempo na vida estudando o que nunca vão usar nas suas profissões. O Brasil está no inferno astral. Tem boas escolas de negócios, mas também muito MBA de mentirinha que não forma ninguém”, afirma Adriano Amui, CEO do Invent Conhecimento Estratégico, que ministra cursos customizados de curta duração calcados no aprendizado prático em parceria com algumas das principais universidades do Canadá, dos Estados Unidos e da Suíça, além dos melhores professores brasileiros.

No Ibmec, os alunos são estimulados a desenvolver inovação. Um dos mecanismos é a participação em projetos de empreendedorismo social ou de gestão de negócios. Desenvolver projetos criativos para a mobilidade urbana em um workshop é um dos caminhos. Em um seminário de sistema financeiro a lição de casa foi encontrar soluções em serviços financeiros.

“Empresas enfrentam muitas desafios e precisam do suporte da academia para dar conta das demandas”

O modelo procura copiar o exemplo dos Estados Unidos, que transforma a universidade no primeiro caminho da inovação para as empresas. Por aqui, é o caso do InovaBRA, nome do programa de inovação aberta do Bradesco voltado a apoiar projetos inovadores com soluções aplicáveis ou adaptáveis ao setor financeiro. Os alunos são uma grande fonte de criatividade. “O futuro da inovação passa pela integração entre as universidades e o setor produtivo. As empresas enfrentam muitas frentes e precisam do suporte da academia para dar conta das demandas de inovação”, diz Marco Aurélio de Sá Ribeiro, coordenador do Centro de Empreendedorismo IBMEC (CEI).

“Empresa que falha na gestão de inovação desaparece. Inovação não é tema da moda, mas um fenômeno sem volta”, afirma Paulo Figueiredo, professor de economia e gestão da Inovação da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (EBAPE/FGV), primeira instituição do Brasil a inserir a disciplina de gestão da inovação nos cursos de graduação.

A matéria depois foi estendida também a mestrados, doutorados e formação executiva. As empresas que enfrentam o dilema de manter sempre do mesmo jeito a tecnologia que desenvolveram ou migrar para novas formas de produção ou gestão dos negócios encontram um parceiro importante nas universidades. A Natura, escolhida como uma das empresas mais inovadoras do mundo, trabalha com uma enorme quantidade de parceiros para desenvolver processos – entre eles a academia. No fim da linha, as escolas de negócios entram em cena para ensinar gestores-alunos como a inovação afeta o lucro operacional da empresa.

No Coppead da UFRJ, a preocupação é garantir que as empresas superem os limites do investimento em P&D para acelerar os processos de inovação em receitas mais eficientes como o retorno do consumidor. O instituto implantou o primeiro MBA executivo do país. Hoje tem 54 alunos. Vinte e cinco deles são estrangeiros que participam de um programa de intercâmbio internacional. Na disciplina de Inovação e Design Thinking, em parceria com a MJV Tecnologia e Inovação, referência em inovação, todos são levados para a Praça Tiradentes, no centro do Rio, para entrar em contato com o consumidor comum e captar ideias que impulsionem novos negócios. Um dos desafios da turma de Design Thinking é como criar um Rio melhor, na cultura, na limpeza, na educação ou na saúde, já de olho nos Jogos Olímpicos de 2016. “A ideia é levar o espírito inovador para o campo em vez de apenas passar os conceitos teóricos da inovação em sala de aula, diz a professora de Inovação e Design Thinking Cláudia Araújo, do Coppead/UFRJ. Além de mais inovação, empresas demandam um novo jeito de fazer inovação. A pesquisa de mercado para chegar a um novo produto ou serviço está perdendo espaço para jovens que pensam fora da caixinha. O líder do futuro é inovador e tem empatia com o mercado”, conclui Claudia Araújo.

Fonte: Valor

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