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Jovens são estimulados a abrir seu próprio negócio

Aprender inglês pela música ou simulando viagem a Nova York é a proposta do Feel the Music e do Backpacker, dois aplicativos que uma produtora de games educativos brasileira oferece a usuários da internet, alunos matriculados no ensino médio e cadastrados no portal da Backpacker. O melhor de tudo: gratuito até o momento – as mensalidades só passam a ser cobradas a partir de janeiro próximo -, os jogos interativos compõem o acervo de uma startup tocada por três jovens empreendedores recém-saídos da universidade.

Caio Braz, de 25 anos, estava cursando o penúltimo ano da faculdade de engenharia no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em 2011, quando, em viagem a Bangladesh, percebeu que “precisava parar de buscar uma vaga no mercado para enxergar os problemas do próprio país onde vive e tentar resolvê-los”. De volta ao Brasil, em parceria com a irmã e mais um sócio, formatou uma proposta pedagógica e foi buscar subsídios no “Bota pra Fazer”, programa universitário de empreendedorismo oferecido pela Endeavor.

Cursos de criação de novos negócios como o “Bota pra Fazer” – constituído de plataforma on-line de aprendizagem colaborativa inclui exercícios práticos, informações sobre o ambiente corporativo brasileiro, cases e competições anuais de pitch visando conectar as melhores ideias dos alunos das escolas parceiras e o mercado – são apenas uma das vertentes para empreender. Uma série de outras ações voltadas para empresas iniciantes vem estimulando cada vez mais a cultura do empreendedorismo e alimentando o sistema de inovação no País.

Formado em Administração de Empresas na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) em 2007, Breno Moraes, hoje com 29 anos, pegou carona na “mudança do discurso das instituições de ensino superior, antes buscando emprego no mundo corporativo”, e decidiu participar de um programa de aceleração de startups por meio da Aceleratech, parceira da ESPM. Resultado: o Brasil By Bus, portal de venda de passagens de ônibus para mais de 3 mil cidades no Brasil. “Em junho, mês da Copa do Mundo, vendemos 300% a mais e o que equivalente à receita do ano de 2013 inteiro”, festeja Moraes.

“Aprender sobre modelos de negócios não é coisa do outro mundo, qualquer livro ensina”

Para estimular os jovens universitários a investir no próprio negócio, ele dá a receita: “Além de mudança de mentalidade em sala de aula, seria positivo incentivar o estágio dos alunos em startups, por meio da grade horária”, sugere. Para ele, “aprender sobre modelos de negócios não é coisa do outro mundo – qualquer livro ensina.” Moraes acredita que ” uma temporada em uma empresa iniciante pode ser útil tanto para o estagiário, em termos práticos, quanto para o negócio, que sempre precisa de um reforço de mão de obra no começo, e a universidade alimenta parcerias com o mercado”.

Pamella Gonçalves, diretora de Pesquisa e Mobilização da Endeavor, aposta fichas em outras alternativas para fomentar o protagonismo universitário: mentorias e premiação de boas ideias, desafios e competições online entre estudantes, cursos e eventos, vale tudo para trazer à tona a inovação. “Empreender é ato solitário. Na maioria das vezes, o jovem não sabe como fazer”, reconhece Pamella.

Para Ryoichi Penna, presidente da Brasil Júnior – Confederação Brasileira de Empresas Juniores, a alternativa de criar na universidade empresas de consultoria formadas e geridas por alunos é salutar. “Essa proposta de empreendedorismo leva ao aprendizado por gestão e por projeto.” Ao todo, segundo a Brasil Júnior, já são 250 empresas da modalidade em todo o País e mais de 8 mil empresários júnior envolvidos na rede.

Prova da importância desse modelo também é sentido no eixo São Paulo-Rio de Janeiro. Na Faculdade de Engenharia da Produção da Universidade Federal do Amazonas, o desejo de ser mais que “um engenheiro para apertar parafuso” levou a aluna Clarissa da Silva Ramos de Melo a fundar o MEU (Movimento de Empreendedorismo Universitário). “Percebi que a graduação é um ambiente propício à inovação, onde os alunos têm grandes ideias e desenvolvem excelentes projetos. A maioria, porém, não vai além do TCC ou do artigo científico”, relata Clarissa.

Fonte: Valor Econômico

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