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IPT conclui laboratório para setor aeroespacial

O desenvolvimento de projetos aeroespaciais complexos, como o de grandes estruturas em fibra de carbono, atualmente só disponível por meio de parcerias com laboratórios de pesquisa no exterior, começa a se tornar realidade no Brasil. As empresas do setor aeroespacial já instaladas no parque tecnológico de São José dos Campos serão as primeiras beneficiárias da infraestrutura laboratorial do LEL (Laboratório de Estruturas Leves), que será inaugurado pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) no próximo mês.

“As novas ferramentas garantem rapidez de produção e qualidade da peça final”, afirma o diretor do LEL, Hugo Resende. O laboratório, segundo ele, está equipado com ferramental que permite produzir estruturas planas ou de pequena curvatura, de até 12 metros de comprimento por 4 metros de largura, enquanto outro viabiliza componentes cilíndricos de até 3 metros de diâmetro e 4 metros de comprimento.

Resende informou que também será possível investigar métodos automáticos de junção de chapas metálicas, visando diminuição significativa de peso e melhoria da qualidade final das peças.

O diretor do Parque Tecnológico, Horácio Forjaz, que trabalhou por quase 30 anos na Embraer, diz que neste laboratório a fabricante brasileira poderá testar técnicas de produção de avião inteiramente em material composto. “São equipamentos capazes de reproduzir o tamanho de uma fuselagem inteira de uma aeronave”, diz.

Uma das características importantes do LEL, segundo Forjaz, é o funcionamento dentro do conceito de laboratório multiusuário, abrindo perspectiva de acesso a técnicas e recursos sofisticados para pequenas e médias empresas. O acesso a essas ferramentas tecnológicas no Brasil, segundo ele, está restrito hoje às grandes empresas.

O laboratório, que custou R$ 48 milhões e foi financiado com recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), IPT e prefeitura de São José, vai apoiar o desenvolvimento de projetos estruturantes para a indústria aeronáutica, nas áreas de materiais metálicos avançados, tecnologia de compósitos (feitos de polímeros com reforço de algum tipo de fibra) e processos de laminação automatizados.

Embora os setores aeronáutico e aeroespacial sejam os usuários com maior interesse no desenvolvimento de estruturas mais resistentes, com menor peso e custo, as ferramentas tecnológicas disponíveis no LEL também tem aplicação nas indústrias automobilística, autopeças, petróleo e gás, geração e transmissão de energia elétrica.

As estruturas leves são feitas a partir de materiais metálicos, como o aço, o alumínio ou o titânio, compósitos e híbridos (combinação dos dois tipos de materiais).

O parque tecnológico de São José dos Campos abriga hoje 45 instituições, entre universidades, órgãos do governo federal e empresas. Entre as companhias mais recentes estão a Ericsson, a Atech (empresa da Embraer Defesa & Segurança) e a Airbus, que também pretende iniciar em março a operação do seu centro de pesquisa e tecnologia.

“Até o final deste mês estaremos definindo a escolha de mais 15 empresas de base tecnológica, que ficarão instaladas no segundo centro empresarial do Parque”, informa Forjaz. O local tem capacidade para abrigar 52 empresas.

A expansão do parque também será impulsionada com a inauguração da sede da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) em São José, prevista para abril. A instituição construiu um prédio de 22 mil m2, com capacidade para atender 1800 alunos nos níveis de graduação e pós-graduação. Os investimentos da no campus do parque tecnológico são estimados em R$ 62,5 milhões.

A Unesp, que já opera um curso de engenharia ambiental no parque, discute a possibilidade de transferir para o local o Instituto de Estudos de Ciências do Mar, segundo informou Horácio Forjaz.

O Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), segundo o diretor, planejou para março a inauguração das instalações provisórias, um prédio de 1.340 m2, até que a sede definitiva fique pronta dentro de três a quatro anos.

Fonte: Valor

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