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Inovação no Brasil agoniza com ‘burrocracia’ na concessão de patentes

A Inovação no Brasil – que é colocada como prioridade pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – agoniza com a ‘burrocracia’ na concessão de patentes. As tentativas de reestruturação não conseguem acelerar o processo – considerado crucial para transformar uma ideia num produto comercial.  Aqui, lembra o gerente de Recursos Naturais do Laboratório de Pesquisa da IBM Brasil, Renato Cerqueira, um pedido leva, em média, 11 anos para ser finalizado. No exterior, esse prazo cai para, em média, dois ou três anos.

O Centro Global de Inovação da IBM no Brasil, em três anos, já remeteu 120 pedidos de patentes para os Estados Unidos, o que representa que 20% das patentes concedidas naquele país são de ideias desenvolvidas no Brasil. A unidade está muito próxima de atingir a marca prevista de 100 pesquisadores estabelecida na sua criação em 2011.

“Temos a orientação que é fazer o pedido na nossa corporação, por isso, não há pedidos aqui. Mas o processo no Brasil é extremamente lento e mais do que isso: não é simples. São muitas idas e vindas”, lamenta Cerqueira, que conduziu, nesta quinta-feira, 21/05, em São Paulo, a edição do Inovação em Debate, realizado na sede da IBM Brasil.

Com investimento aproximado de R$ 160 milhões em pesquisa e desenvolvimento, a 3M do Brasil, responsável por produtos que fazem parte do nosso dia a dia, como a esponja de banho e de limpeza de cozinha, também sofre com a lentidão na concessão de patentes. A empresa possui 120 pedidos no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual – INPI- mas, até agora, pouco mais de 20 foram concedidas.

O maior problema dessa demora, disse Alberto Gadioli, diretor de P&D da 3M Brasil, é que muitas vezes uma ideia não se transforma em produto e acaba se perdendo. “Inovação não pode ter essa lentidão. O produto até pode não acontecer. Os erros existem, mas a ideia não pode se perder”, acrescenta o executivo.

Aqui e agora não resolve

O pesquisador da área de sofware e ex-cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), Silvio Meira, adverte que, além da lentidão dos trâmites oficiais na área da Inovação – seja para uma ideia virar um produto, ou para a concessão de verba para pesquisa – o Brasil está perdendo o bonde da história em três áreas que serão cruciais no mundo de 2040: robótica, sistemas cognitivos e nanobiotecnologia.

“O Brasil tem zero participação nessas três áreas, dominadas pelos Estados Unidos e China. Não podemos deixar de pensar nesses segmentos. Eles vão escrever a história nos próximos 50 anos”, sinaliza. O desembarque de Centros Globais de Inovação no Brasil – como os da IBM, EMC, GE e outros – é considerado medida salutar e necessária. “Uma fábrica não traz o resultado que a convivência de pesquisadores pode proporcionar para um país”, acrescenta Silvio Meira.

Para Cerqueira, da IBM, o Brasil está com um bom time de mestres e doutores, mas precisa,agora, se preocupar com os graduados. “O gargalo hoje está em transformar a ideia, a pesquisa num produto. E precismos dos graduados para fazer o ecossistema funcionar. É o técnico do processo e esse profissional está em falta. Temos que investir mais nessa área”, reforçou o executivo da IBM Brasil.

O gerente de Políticas para Inovação do IEL/CNI, Luis Gustavo Delmont, lamentou o fato de o Brasil não estruturar uma política de Estado. “Pensamos em governos que duram quatro anos ou podem chegar a oito anos. Não há nenhum desenho de política para 20, 30 anos. Países desenvolvidos já pensam em 2040, 2050. Aqui no Brasil é tudo no imediato. Precisamos mudar muito para chegar a um nível razoável na área da Inovação”, alinhou.

E o problema não está apenas no Estado. As empresas , na sua maioria, também colocam a inovação num segundo plano. Tanto é assim que pesquisa recém-divulgada pela CNI mostra o baixo índice de aportes na áreas de Inovação. O esetudo aponta que  as pequenas e médias empresas são maioria entre as que investem uma parcela menor de seu orçamento em inovação. Entre as grandes corporações, 10% investem 3% e 5%, enquanto 27,5% destinam entre 1% e 3%. Já no grupo das PMEs, 16,7% das empresas investem entre 3% e 5% e a maioria, ou 31,7%, reservam um percentual entre 1% e 3%.A pesquisa completa pode ser lida aqui.

Fonte: Convergência Digital

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