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Inovação abre espaço na agenda

Dirigentes de corporações como Ericsson, Avaya, Algar e Cremer estão reservando mais espaço em suas agendas para fermentar ações de inovação no dia a dia dos negócios. O objetivo é abrir as portas das empresas para iniciativas inovadoras em rotinas de trabalho, serviços para clientes e produtos. Para isso, costuram parcerias com universidades brasileiras, investem em capital humano e no fluxo de novas ideias entre funcionários e parceiros. “Programas internos de geração de projetos foram responsáveis pela criação de 800 ações, que resultaram em negócios de R$ 300 milhões”, diz Luiz Alexandre Garcia, CEO do Grupo Algar, durante o painel Inovação e Gestão de Qualidade, realizado na Futurecom 2014, em São Paulo.

Segundo Jesper Rhode Andersen, diretor de marketing para a América Latina da Ericsson, a empresa investiu R$ 800 milhões em pesquisa e desenvolvimento (P&D) nos últimos 12 anos no Brasil. Este mês, a fornecedora do setor de telecomunicações contratou 60 novos profissionais que se somarão aos 400 especialistas em inovação que mantém no país. O reforço vai atuar no Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP), em parceria com a Fundação de Ciência e Tecnologia (Fitec). A organização mantém uma aliança com a Ericsson desde 2008, em projetos de TV e propaganda móvel.

“Para acelerar mais ações de inovação, temos parcerias com oito universidades brasileiras”, diz. Cada projeto pode durar de dois a três anos. Desde 2012, a Ericsson trabalha com a Universidade Federal do Ceará em pesquisas sobre a rede 5G. Segundo a empresa, com a proliferação de smartphones e tablets, gerações atuais de internet sem fio, como 3G e 4G, não serão suficientes para atender as necessidades dos usuários.

Na catarinense Cremer, de produtos descartáveis para o setor de saúde, a linha de produção ganhou um choque de inovação há cinco anos. “A inovação se transformou em uma meta corporativa. Em 2009, não tínhamos produtos inovadores”, diz o CEO Leonardo Byrro, de 34 anos, considerado um dos mais jovens presidentes de empresas listadas pela Bovespa.

O desafio da companhia de sete mil funcionários e faturamento de R$ 800 milhões foi implantar uma cultura de inovação que atraísse capital humano especializado. “Ao contrário das startups do setor, o mercado não nos via como uma organização inovadora”. Hoje, o próprio Byrro se responsabiliza pelos processos de recrutamento em universidades. “A seleção de novos talentos não é delegada para consultorias de recursos humanos. Vou a todas as entrevistas”.

O alvo do executivo são enfermeiros para desenvolvimento técnico, médicos e engenheiros. Uma das novidades da marca são gazes com microchips, para impedir que o material seja “esquecido” nos pacientes depois das cirurgias. Segundo Byrro, uma intervenção hospitalar pode consumir até 600 compressas.

Garcia, do grupo Algar, afirma que a inovação deve estar na agenda dos comitês corporativos para ser usada no aumento da competitividade. O conglomerado investe em dois programas de gestão na área, focados em ideias (PGI) e projetos (PGP). A meta é direcionar iniciativas para o aperfeiçoamento de processos, produtos e serviços. A marca incentiva equipes a sugerir melhorias e distribui bônus correspondentes a uma parte dos resultados financeiros obtidos com as ações. “Em 14 anos, os programas foram responsáveis pela criação de 800 projetos, que resultaram em R$ 300 milhões em novos negócios”. Com receita de R$ 3,8 bilhões, o Algar também atua no agronegócio, aviação e hotelaria.

A Avaya, de sistemas e serviços para comunicação empresarial, também estimula funcionários e parceiros com premiações dadas a projetos reconhecidos pelos clientes. “A gestão da qualidade e da inovação tem de estar associada à forma de melhorar os nossos negócios”, diz o presidente da empresa americana no Brasil, Nelson Campelo. “Conseguimos diminuir o tempo médio de entrega de propostas em 40%, com um aumento médio de 20% no fechamento de contratos”. O segredo? Atração e retenção de talentos, ligadas a métricas de qualidade nos serviços prestados.

De acordo com Carlos Américo Pacheco, reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), do total de egressos do ensino superior no Brasil, apenas 5% são diplomados como engenheiros. “É difícil ser um país inovador sem esses profissionais”, diz. O ITA diploma 120 engenheiros ao ano.

Fonte: Valor

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