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Iniciativa da Embrapa incentiva agricultura ecológica

“A atividade agropecuária só representa uma ameaça ao meio ambiente quando conduzida de forma inadequada, ou seja, sem a utilização de boas práticas agrícolas e de tecnologias adequadas”, comenta Luiz Marcelo Brum Rossi, chefe-geral da Embrapa Amazônia Ocidental.

A unidade vem conduzindo uma série de estudos, envolvendo a aplicação de sistemas de plantio direto de grãos, que reduzem o consumo de combustíveis fósseis (e, portanto, as emissões de gases que contribuem para o efeito estufa), promovem o aumento do conteúdo de matéria orgânica no solo, ampliando a oferta de nutrientes minerais para as plantas cultivadas, e trazem maior eficiência produtiva da atividade. A empresa toca ainda pesquisas voltadas para manejo florestal sustentável e o desenvolvimento de variedades de guaraná e cupuaçu resistentes a pragas e doenças e com produtividade mais elevada.

Além de trabalhos para melhoramento genético do dendê e do caiaué, para obtenção de material com elevado potencial para produção de óleo, Rossi acrescenta que a Embrapa Amazônia Ocidental desenvolve um programa de pesquisas de plantas medicinais, visando desenvolver fitoquímicos com propriedades anti-estresse, antibacterianas, imunoestimulantes e antiparasitárias.

No Parque Fenológico, numa área de 400 hectares de floresta primária no município de Rio Preto da Eva (AM), a unidade realiza estudos florestais e ecológicos para gerar e divulgar informações sobre a dinâmica de crescimento e da produção da floresta por meio de monitoramento contínuo, num projeto que faz parte da Rede de Monitoramento da Dinâmica de Florestas na Amazônia (Redeflor), do MMA.

Segundo Rossi, os resultados mais recentes desse projeto mostram que, entre 2005 e 2010, a floresta não manejada esteve em equilíbrio com a natureza, quando se considera a dinâmica de emissão e sequestro de carbono. “Entretanto, quando se desconsidera o ingresso e a mortalidade, o comportamento da floresta muda; ela passa a ser sumidouro, sequestrando carbono da atmosfera”.

Outro experimento desenvolvido no mesmo parque pela Embrapa mostra que há limites mesmo para o manejo controlado da mata. A área de floresta submetida a quatro níveis diferentes de exploração experimental em 1987, prossegue Rossi, apresentava, 23 anos depois, estoques de carbono idênticos aos verificados em 1986, “indicando a recuperação da floresta em termos de biomassa”. Mas, pontua, a área não está pronta para ser manejada novamente, mesmo depois de mais de duas décadas desde a última experiência, “principalmente devido ao elevado número de espécies pioneiras ainda existentes na área manejada, em comparação com a área não manejada”.

Ainda nesta área, a Embrapa Amazônia Ocidental desenvolve estudos ecológicos, analisando a influência das variáveis do solo sobre espécies arbóreas na floresta densa, que ajudarão a definir zonas de diversidade florestal, assim como limites e tamanhos para unidades de manejo. “A proposta trará grande contribuição para o desenvolvimento regional, cujos resultados poderão ser utilizados pelos órgãos de fiscalização e controle ambiental, pelo setor produtivo empresarial e de pequena escala, bem como pelo setor acadêmico para formação ou capacitação de recursos humanos nesta área”, observa Rossi. Na agricultura familiar, a empresa investiga possibilidades de transferência de tecnologia a comunidades tradicionais ribeirinhas para a produção de peixes em sistemas mistos, prevendo-se o uso de áreas desmatadas e sua recuperação.

Fonte: Valor

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