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Governo recua e, agora, nega “iniciativa” de fundir Serpro, Dataprev e Telebras

Acabou a especulação. O governo, por meio de nota oficial emitida nesta quinta-feira, 21/01, pela Telebras, negou a “iniciativa” de realizar uma fusão do Serpro com a Dataprev e a referida estatal de Telecomunicações, conforme havia sido antecipado em 30 de novembro pelo portal Convergência Digital, com base em documento do DEST – Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais.

A segunda negativa da Telebras sobre a fusão tem objetivo claro: conter a desenfreada alta de suas ações, provocada por especulação de acionistas após matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo no último dia 12 de janeiro, quando o assunto internamente já estava esfriado no governo. Isso ocorreu imediatamente após a saída da equipe do ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, a principal interessada na fusão.

A reportagem da Folha de São Paulo não trazia nenhuma novidade em relação à fusão que já não tivesse sido publicada por este portal. Mas em sendo um jornal de circulação nacional causou o impacto necessário para elevar o preço das ações da Telebras, gerando grandes lucros para os acionistas, entre eles o controlador, no caso o próprio governo.

Naquele dia, as ações da Telebras deram um salto extraordinário e chegaram a serem cotadas ao preço de R$ 4, quase o mesmo valor alcançado pela Petrobras que encontra-se em constante queda nos últimos meses devido à crise gerada com o escândalo de corrupção investigado na estatal pela Operação Lava Jato.

Ontem (21), o pregão da BMF/Bovespa encerrou com as ações da Telebras cotadas a R$ 2,71 – patamar menor, mas ainda assim muito alto para quem em 26 de outubro do ano passado foi cobrada pela entidade para elevar o valor dos seus papéis – que estavam cotados abaixo de R$ 1 – sob ameaça de ser punida com o banimento do mercado financeiro.

“Telebras reitera aos seus acionistas e ao mercado que, tendo ouvido o seu acionista controlador – o governo federal – inexiste qualquer iniciativa ou processo de fusão desta Companhia com quaisquer outras empresas”, diz a nota oficial publicada ontem pela estatal de Telecom, assinada pelo presidente e diretor de Relações com os Investidores, o ex-deputado federal Jorge Bittar (PT-RJ).

Na primeira nota oficial, a Telebras havia informado que não tinha discutido fusão com nenhuma outra empresa estatal. De fato, não estudou ou debateu esse assunto, pois nenhum presidente de estatal foi chamado para opinar sobre o assunto. Quando o portal Convergência Digital publicou sua primeira reportagem sobre o tema em 27 de agosto do ano passado – na época a fusão se restringia apenas ao Serpro e a Dataprev – todos os dirigentes destas estatais foram surpreendidos com a notícia. Ninguém sequer sabia que o pessoal do ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy e o DEST discutiam internamente o assunto, de modo restrito.

A negativa oficial de agora apenas existe porque o assunto impacta nas ações da Telebras e isso poderá causar problemas futuros para a sua diretoria e eventuais grandes acionistas. Do contrário, o governo faria cara de paisagem, afirmando que a proposta de fusão nunca existiu, mesmo a informação sendo documentada por este portal.

Fonte: Convergência Digital

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