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Força Aérea e CPqD têm novo laboratório

O programa de modernização do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (Sisceab), baseado em tecnologias digitais, sistemas de base terrestre e de satélites, conta agora com o suporte de um laboratório inédito no país. Nele serão testadas e qualificadas novas tecnologias de comunicação entre centros de controle e pilotos.

O laboratório foi montado, em Campinas, pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), em parceria com a Força Aérea Brasileira (FAB). O projeto absorveu até agora R$ 2,5 milhões. Os recursos, segundo o diretor de redes convergentes do CPqD, Paulo Cabestré, foram financiados pela FAB. Até a montagem da versão definitiva do laboratório, em meados de 2015, o investimento total será de R$ 9 milhões.

“Com os recursos deste laboratório o Departamento de Aeronáutica poderá fazer a migração segura e gradativa da tecnologia de comunicação ponto a ponto (usada hoje) para os serviços em rede IP (via nuvem), dentro dos padrões internacionais definidos pela Eurocae (European Organization for Civil Aviation Equipment)”, diz Cabestré.

No sistema ponto a ponto a comunicação se dá entre dois pontos preestabelecidos. Na rede IP (protocolo de internet) é possível a comunicação entre vários pontos, mas o sistema tem condições de controlar a transmissão, priorizando as mensagens mais importantes. A nova tecnologia melhora a qualidade do sinal e a mensagem chega rapidamente e mais limpa.

O piloto se comunica com a torre de controle via rádio. A comunicação é transmitida para uma antena, que repassa para o controlador, usando uma estrutura terrestre. A rede IP está nesse segmento terrestre. Dependendo da configuração do serviço, mesmo que seja pela internet, é possível ter mecanismos de proteção dos dados.

Os novos sistemas serão adotados em toda a rede de controle do espaço aéreo do Brasil para modernizar e atender de forma segura o crescente fluxo de tráfego aéreo projetado para o futuro, informou o presidente da Comissão de Implantação do novo Sistema de Controle do Espaço Aéreo (Ciscea), major-brigadeiro do ar Carlos Vuyk de Aquino.

A tecnologia já começou a ser testada na região do Cindacta III (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo), que controla o tráfego aéreo do Nordeste e parte do Oceano Atlântico. Sediado em Recife, o centro abrange uma área total de 13,5 milhões de quilômetros quadrados. A meta, segundo Aquino, é que o novo sistema esteja em todo o território brasileiro até 2019.

Enquanto a fase de implantação e testes da rede IP está em andamento, o sistema de comunicação do país funcionará de forma redundante, com as atuais tecnologias de comunicação terrestre e por satélites. “O mais importante é que a comunicação entre o piloto da aeronave e controlador de voo estará garantida”, diz Cabestré.

A partir da integração das tecnologias de rádio, telefonia e dados, o laboratório vai oferecer os cenários possíveis para o transporte de informações relacionadas ao controle do tráfego aéreo.

Com essa rede, diz Cabestré, o Brasil integra o seleto grupo de países (Estados Unidos, Alemanha e França) que hoje também está investindo em novas tecnologias de navegação aérea.

“Todos os países vão para esse mesmo caminho. As operadoras de telecomunicações já estão em processo de descontinuar os serviços de comunicação ponto a ponto”, diz Aquino.

Os investimentos em tecnologias avançadas de navegação e comunicação aérea permitiram que o Brasil se tornasse um dos países mais avançados em gestão e controle de tráfego aéreo. É o primeiro país da América do Sul, segundo Cabestré, a migrar para rede IP.

O laboratório instalado no CPqD, segundo o brigadeiro Aquino, atende ao objetivo do país de construir um modelo de rede compatível com a criticidade do serviço que é prestado pela Aeronáutica. “Vamos implementar serviços e qualificar equipamentos que foram previamente testados neste laboratório”, afirmou.

Ao deixar os canais dedicados para usar redes estatísticas, o país também usará seu sistema de forma mais eficiente. “Estimamos uma economia de 30%, pois só vamos usar a rede quando precisarmos. Na comunicação ponto a ponto ela fica sempre disponível, o que gera custo maior”, disse. “A nova tecnologia é mais flexível, pois permite melhor compartilhamento e uso de recursos de rede.”

Fonte: Valor

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