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Finep premia inovação em 73 empresas brasileiras

O Ministério da Saúde e o governo do Acre desenvolveram um projeto pioneiro para estimular, de uma vez só, duas formas de proteção distintas: a de preservar a cadeia produtiva da borracha, e a de prevenir doenças sexualmente transmissíveis. A Fundação Tecnológica do Acre (Funtac) produz, há cinco anos, preservativos masculinos com látex nativo da Floresta Amazônica, mais especificamente de Xapuri, de onde são distribuídos para todos os Estados da região Norte, além do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, pelo ministério.

Conforme explicou a diretora-executiva da instituição, Dirlei Bersch, ao Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, os preservativos são similares aos produzidos de forma convencional, com a diferença de que os convencionais são produzidos com látex de cultivo. Foram investidos R$ 30 milhões no projeto e na fábrica, que produz até 100 milhões de preservativos por ano. O projeto fortalece a cadeia produtiva da borracha, estimula a economia da floresta, e gera emprego e renda aos seringueiros. A Funtac é a única empresa do mundo a fazer preservativos com látex nativo.

Esse esforço será reconhecido no próximo dia 13, quando a fundação receberá o prêmio de melhor tecnologia social da região Norte. A categoria faz parte do prêmio Finep de Inovação, cujos vencedores regionais foram divulgados com exclusividade ao Valor PRO. Ao todo serão 73 agraciados, que levarão prêmios individuais de até R$ 300 mil.

“O prêmio foi criado há 15 anos para reconhecer o esforço inovador de empresas brasileiras. Ele serve também para oferecer uma radiografia do processo de inovação do país”, explicou André Calazans, superintendente de Comunicação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e coordenador do prêmio. Ao todo, a Finep avalia 9 categorias e vai desembolsar R$ 8 milhões em prêmios.

Outro vencedor, desta vez na categoria de inovação sustentável do Sudeste, foi a CBPAK Tecnologia, que produz copos biodegradáveis e compostáveis feitos de fécula de mandioca. A empresa, criada por Cláudio Rocha Barros em 2002, tem o objetivo de reduzir o passivo ambiental gerado a partir do uso de embalagens que levam muito tempo para se decompor, como é o caso do copo plástico. A produção teve início em 2011. O executivo estima já ter aportado R$ 4 milhões no projeto.

Barros conseguiu R$ 1,15 milhão no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e outros R$ 2,5 milhões junto ao Itaú, para fazer frente à produção do copos biodegradáveis – que custam de 20% a 30% mais do que um de isopor. Ele espera fazer sua “grande venda” em 2014, para quando prevê faturamento “conservador” de R$ 3 milhões.

O prêmio de melhor instituição de ciência e tecnologia da região Sudeste, por sua vez, ficou com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), que somente no ano passado investiu R$ 100 milhões em projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D). O volume representa de 30% a 40% do orçamento da instituição, segundo o diretor de Gestão e Inovação do CPqD, Alberto Paradisi. O centro tem um portfólio amplo de projetos, e atua com enfoque principalmente em telecomunicações e tecnologia da informação. O objetivo, segundo Paradisi, é levar a inovação tecnológica para o mercado.

A partir das notícias da espionagem americana, o diretor do CPqD acredita que a questão da segurança terá papel importante. “Estamos desenvolvendo tecnologias na área de segurança em ambientes móveis. Acho que o governo vai se sensibilizar de maneira mais assertiva para mobilizar instituições como o CPqD para [criar] mais atividades nessa área”, explicou Parisi. Está em curso uma negociação com o Ministério das Comunicações para desenvolver um laboratório na área de segurança de rede fixa. A CPqD recebeu apoio de R$ 450 milhões da Finep, enquanto a CBPAK recebeu R$ 200 mil e a Funtac, cerca de R$ 5 milhões.

Fonte: Valor Econômico

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