+55 (61) 9 7400-2446

Destaques

Fifa cede espaço à tecnologia na Copa das Confederações e cria polêmica

Pierluigi Collina, ex-árbitro e um dos membros do Comitê da Uefa, também alerta que o sistema pode não ser perfeito. “Não estou certo de que o sistema seja 100% seguro”, disse. “Meu computador também tem problemas”. Para ele, é mais adequado ter mais um assistente atrás dos gols, como já ocorre em vários torneios.

Segundo Platini, só na implementação desse serviço de registrar um gol, a Europa teria de gastar mais de US$ 70 milhões (cerca de R$ 150 milhões) para equipar seus 280 estádios. O valor pode parecer pouco para os grandes clubes de elite, mas times menores teriam dificuldade em gastar mais 280 mil euros por temporada para garantir um sistema que funcione.

Algumas federações na Europa já indicaram que vão ignorar a Fifa e continuar com suas práticas normais, sem o uso da tecnologia. Uma delas é a federação italiana, que se recusou a entrar no que chama de “aventura”. Mas críticos dentro da Itália apontam que o uso da tecnologia poderia reduzir as chances de manipulação de resultados, um problema que vem afetando o Calcio há anos.

O dilema, para muitos clubes, ocorrerá quando a Copa dos Campeões passar a exigir essa tecnologia ou quando, para se candidatar a receber uma Copa do Mundo, os estádios tenham de se mostrar compatíveis com a tecnologia.

Campeonatos nacionais já começam a se mobilizar para instalar sistemas parecidos. A Premier League, na Inglaterra, já aprovou a implementação da tecnologia a partir de setembro, quando o campeonato será iniciado. Para chegar a essa decisão, todos os 20 clubes da primeira divisão votaram.

Os ingleses, ao contrário da Fifa, usaram sua empresa local, a Hawk-Eye, que já presta o mesmo serviço para o críquete e tênis. Serão sete câmeras por gol.

O que começa a preocupar os especialistas é que os sistemas são incompatíveis e, em algum momento, federações terão de tomar decisões para harmonizar o sistema e evitar uma guerra de marcas.

A própria Fifa admite que o número de empresas oferecendo os serviços ainda é pequeno, o que abre as chances de um verdadeiro monopólio dessas companhias em relação ao futebol. A entidade está tentando convencer outras empresas a seguir o mesmo caminho e desenvolver a tecnologia. Por enquanto, essas empresas teriam de ser aprovadas por um laboratório suíço credenciado pela Fifa.

Mas fontes na Uefa confirmam ao Estado que parte do debate não tem relação com a tecnologia ou o desejo de ver o futebol em seu estado bruto e natural, mas sim em saber quem está por trás de empresas que nos últimos anos surgiram apenas para criar esse sistema.

Na Inglaterra, a Premier League terá de pagar mais de US$ 400 mil à Fifa apenas pelo direito de usar seu sistema registrado e patenteado.

Fonte: O Estado de São Paulo

Próximos Eventos