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Faps são estratégicas para o modelo integrado

A inserção do conceito de inovação na agenda econômica provocou uma transformação no sistema de ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Na última década, além de contar com mais recursos para investimento, houve uma multiplicação do número de fundações de amparo à pesquisa. Nesse período, foram aprovadas inúmeras leis estaduais para a regulamentação de projetos, além de uma maior integração entre governos (federal, estaduais e municipais), iniciativa privada e academia. “Obter competitividade e produtividade tornou-se a meta das empresas brasileiras que optaram pela via da inovação”, destaca Glauco Arbix, presidente da Finep.

Segundo ele, sete mil empresas investem com frequência em atividades de pesquisa e desenvolvimento, incorporando a inovação à estratégia de crescimento. Ainda é pouco, mas o número significa um progresso importante. O Brasil também está recebendo centros de pesquisa internacionais, construindo parques tecnológicos e aplicando recursos para formar uma rede com maior capacidade para produção local de conhecimento. “O resultado mais importante dos últimos anos está no aumento da demanda por financiamento para os projetos de pesquisa e desenvolvimento. O empresário brasileiro entendeu que precisa inovar”, destaca Arbix.

O estímulo público é de extrema importância para fomentar os projetos. É assim em todo o mundo. Para Arbix, os resultados do programa Inova Empresa – que injetou R$ 32,9 bilhões na economia para serem aplicados em projetos de inovação entre 2013 e 2014 -, demonstra a demanda reprimida por dinheiro para ser destinado em ações que incluem desde a modernização tecnológica até a pesquisa de ponta. Ao todo, a Finep e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) receberam R$ 98,7 bilhões em projetos para avaliação. “Uma das dificuldades para lançar o programa estava no fato de que ninguém acreditava que haveria demanda para os R$ 32,9 bilhões”, conta Arbix. Segundo ele, a integração entre os agentes de fomento, as agências reguladoras e os ministérios foi o principal ganho da iniciativa. “Esse é um modelo que veio para ficar. Deve ser aperfeiçoado, simplesmente porque fortalece o sistema de inovação.”

O Inova Empresa reuniu os orçamentos, espalhados em diferentes ministérios e agências reguladoras em um só pacote e permitiu a ação conjunta das pastas, tornando mais efetivas as ações setoriais. Também integrou as demandas por inovação às políticas de estímulo a setores como saúde, defesa, energia e agricultura. Promoveu a aproximação com a indústria, uma vez que o Inova Empresa responde às demandas dos empresários, com soluções de crédito ajustadas às necessidades reais.

A criação da Embrapii é a grande cartada para ampliar o investimento privado no segmento, uma vez que condiciona o financiamento ao projeto à contrapartida por parte da empresa e do instituto de pesquisa parceiro. Agora é preciso ampliar o estímulo para o setor de serviços. “Para o próximo ano, prevemos o lançamento do Inova Mobilidade e do Inova Educação”, planeja Arbix.

O executivo não acredita que o resultado eleitoral afete os rumos da inovação no país. “Não dá para voltar atrás.” Em 2015, os projetos ainda estarão recebendo aportes comprometidos em 2014, o que deve assegurar o ritmo das pesquisas até a definição de novos programas. Ele admite que o país tem de ser mais ousado para ter, de fato, relevância na rede global. “Para isso, será preciso ampliar a subvenção econômica, ainda tímida no Brasil.” Esse desafio requer recursos públicos, planejamento e definição de prioridades do governo.

A maior parte do dinheiro do Inova Empresa (R$ 20,9 bilhões) está comprometida com contratos de crédito reembolsável. Como o empresário terá de pagar no futuro, o natural é que ele invista o dinheiro em projetos de menor risco ou, até mesmo, de atualização tecnológica.

Fonte: Valor

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