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Faltam centros de pesquisa com visão mais integrada

Apesar de contar com alguns centros de excelência, a cadeia de produção da construção civil no Brasil ainda não conta com um número de centros de pesquisa suficiente para atender às necessidades de inovação tecnológica do setor. Na opinião de especialistas e executivos, esses centros de excelência atendem a demandas especializadas. É o caso do Laboratório de Eficiência Energética da UFSC; do IPT, em áreas como a química e a metalurgia; da Poli-USP ou do Laboratório do Ambiente Construído, Inclusão e Sustentabilidade (Lacis) da UnB.

Faltam, no entanto, centros que integrem todos os conhecimentos dessa cadeia produtiva. Para Marcantoni Montezuma, presidente da Comissão de Meio Ambiente do Sindicato da Indústria da Construção do Distrito Federal, o aquecimento do setor deixou mais evidente essa lacuna. “Atualmente o Brasil conta com poucos centros de inovação e certificação na área de construção civil”, avalia. “Somos carentes de inovação tecnológica em quase todos os segmentos da cadeia.”

Montezuma defende mais incentivos para o desenvolvimento da pesquisa no setor de construção. “Precisamos de amplo, geral e irrestrito apoio do poder público, por meio de concessões de lotes, isenção de impostos e toda a sorte de elementos que se fizerem necessários para que seja atrativa a criação de centros de inovação”, afirma.

Raquel Blumenschein, coordenadora do Lacis, por sua vez, afirma que o salto tecnológico da cadeia só virá com a integração dos diferentes segmentos da indústria, com o meio acadêmico e os vários níveis do setor público. “Os centros de pesquisa são geralmente ligados à cultura universitária e sua agenda nem sempre coincide com a agenda do setor produtivo. Ao mesmo tempo, nem sempre as empresas têm recursos e visão estratégica voltada para a inovação.”

Adriano Nunes, diretor de Inovação e Sustentabilidade da InterCement, holding para negócios de cimento do Grupo Camargo Correa, acredita que embora os centros de pesquisa existentes no Brasil estejam longe de atender todas as necessidades da indústria, hoje, eles são suficientes para o tamanho da demanda. Para mudar esse quadro, diz ele, seria necessário aumentar o investimento privado. “Todos os países que passaram por ondas de inovação e aumento da produtividade tiveram investimentos pesados em pesquisa, com aumento da participação das empresas nessa área.”

Apostando nisso, a InterCement vem fechando parcerias com instituições acadêmicas. A mais recente prevê a construção de um centro de pesquisa em construção sustentável na Poli-USP, um investimento de R$ 5 milhões num prazo de cinco anos. O primeiro desafio será criar um processo produtivo em larga escala para o concreto ecoeficiente desenvolvido em ambiente controlado pelos pesquisadores da USP. A empresa também fechou uma parceria de R$ 2,5 milhões com o IPT para a produção de cimento à base de resíduos da construção civil e, em parceria com a Petrobras, apoia o Centro de Tecnologia em Nanotubos da UFMG.

A cimenteira francesa Lafarge também pretende instalar seu próprio centro de pesquisas no país, o primeiro na América Latina. O centro deve ser instalado no Rio de Janeiro ou em Minas Gerais, próximo às unidades de produção. “Isso vai permitir desenvolver soluções e modelos adaptados à realidade local, como já fazemos em nossos centros na Índia e na China, por exemplo”, diz José Sabino, diretor de marketing da Lafarge Brasil.

Segundo Sabino, o laboratório será voltado para inovações aplicadas, em especial, a novos produtos e modelos mais eficientes de produção. “Vamos interagir com nossa rede de laboratórios no exterior”, diz.

Fonte: Valor

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