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Falta de organização trava plano do Rio de ser cluster de nanotecnologia

Apesar de a cidade do Rio de Janeiro abrigar inúmeros centros de pesquisas com projetos de ponta em nanotecnologia, a Cidade Maravilhosa ainda não pode ser considerada um cluster nessa área. Esta foi uma das questões expostas pela pesquisadora Patricia Lustosa, coordenadora do Laboratório de Fabricação e Caracterização de Nanodispositivos (LABDIS – PUC-Rio), no painel Cidades Inteligentes do Rio Info 2013. O LabDIS oferece suporte para a produção e fabricação de nanodispositivos à base de semicondutores inorgânicos.

“Na verdade, o Rio até é, de certa forma, um cluster de nanotecnologia, mas de forma desordenada. Temos diversas instituições, todas muito competentes, desenvolvendo pesquisas em nanotecnologia, mas não existe uma ação conjunta para que possamos desenvolver projetos direcionados a temas de interesse do Rio de Janeiro, do ponto de vista de metrópole”, comentou a professora de engenharia elétrica Patricia.

De acordo com a pesquisadora, a dificuldade em tornar o Rio um cluster de nanotecnologia está relacionada a dois aspectos principais. “Para que, de fato, tenhamos um cluster ordenado é preciso ter projetos com objetivos específicos, além de pesquisadoras trabalhando em conjunto para um determinado fim”.

A pesquisadora mencionou que, por uma característica do modelo de fomento de pesquisas no Brasil, muitos cientistas acabam desenvolvendo trabalhos com os quais tenham mais afinidades,  sem que eles tenham sido demandados ou estejam inseridos em um projeto mais globalizado.

“Na área acadêmica, é comum que as pessoas se sintam mais confortáveis trabalhando em pesquisas por elas sugeridas do que ter um projeto específico com vários parceiros e com compromissos de entrega, porque os outros colegas vão depender desse resultado para o passo seguinte”, exemplificou. A solução pode ser um modelo intermediário. Segundo Patricia, não precisa seguir os compromissos de uma organização empresarial, mas tem que ter foco. “O direcionamento de pesquisas é relativamente recente no Brasil”, destacou a coordenadora do LabDIS.

Érsio Della Libera, diretor de Soluções da Intel, que participou do mesmo painel, ressaltou que, para ordenar as pesquisas são necessários quatro fatores. “Quando falamos em Cluster na Intel, temos um quadrado que precisa ser preenchido. A primeira parte está relacionada ao ensino. O Rio de Janeiro precisa ter mais cursos focados em Bioengenharia e Nanotecnologia. É necessário aumentar o fomento de pesquisas para esta área de nanotecnologia, combinado com a demanda da indústria e os incentivos de Governo. Assim temos as quatro partes do quadrado”, concluiu.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) prometeu investir cerca de R$ 440 milhões em 2013 e 2014 para fortalecer o setor de nanotecnologia do país. Em agosto, o MCTI lançou a Iniciativa Brasileira de Nanotecnologia (IBN), programa de política pública composto por ações como a aproximação entre universidades e empresas, fomento de incentivos, entre outras.

Uma das ações integrantes da IBN e já lançada é o Sistema de Laboratórios em Nanotecnologias (SisNano), que reunirá espaços com prioridade às políticas públicas de apoio à infraestrutura e formação de recursos humanos para o setor. A nanotecnologia é o estudo de manipulação da matéria numa escala atômica e molecular.

Com aplicações nas áreas de  medicina, eletrônica, ciência da computação, física, química, biologia e engenharia dos materiais, a área movimentou US$ 380 bilhões em 2010 e deve atingir os US$ 3,3 trilhões em 2018. Espera-se que o Brasil alcance 1% dessa estimativa, ou seja, cerca de US$ 35 bilhões de negócios com nanotecnologia em 2018.

Fonte: Convergência Digital

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