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Fabricantes levaram suas apostas tecnológicas para o salão de Paris

Carros elétricos, célula de combustível, sistemas híbridos que combinam um motor tradicional com outro de tração elétrica ou, simplesmente, veículos cada vez mais eficientes no uso de combustíveis fósseis. Qual é a tecnologia que vai predominar no futuro? Para Carlos Ghosn, presidente da Renault Nissan, o grupo que fez a maior aposta em carros elétricos no mundo, a resposta é um futuro em que todas essas alternativas vão coexistir.

“Não acredito que o futuro será dessa ou daquela tecnologia. Imagino que será de várias, a depender das condições de cada país”, disse o executivo em entrevista no salão do automóvel de Paris. Ghosn citou diferenças nos rumos que cada país vai tomar na corrida tecnológica, com variações de regulação e de políticas de incentivo de mercado a mercado, ao justificar por que não acredita no domínio de um único modelo.

“Podemos ter a situação em que a China vai estimular carros elétricos, os Estados Unidos vão fomentar outra coisa, o Japão vai dar prioridade a híbridos e assim por diante. O que temos que garantir é que todas essas tecnologias sejam desenvolvidas para ter o produto adaptado a cada região”.

Apesar da tentativa – ainda com resultados aquém das expectativas – de disseminar carros elétricos como o Nissan Leaf, Ghosn disse que seu grupo não tem deixado de investir em outros sistemas de propulsão, incluindo os mais tradicionais alimentados a gasolina ou diesel. “Continuaremos investindo [em carros elétricos], mas essa não é nossa única estratégia”, disse.

Como não podia deixar de ser, o salão do automóvel de Paris, que abriu as portas ao público no sábado, é o palco do momento para as montadoras apresentarem sua visão sobre o futuro da indústria. Enquanto em estandes da aliança Renault Nissan estão expostos elétricos como o Zoe, o Leaf e um furgão que pode ser carregado na tomada, o NV200, a PSA Peugeot Citroën levou para a exposição versões dos compactos 208 e C4 equipadas com mecanismo híbrido. Mas nesse caso o motor a gasolina não funciona em conjunto com outro elétrico, mas sim com um sistema de propulsão a ar comprimido capaz de fazer veículos rodarem 50 ou até 100 quilômetros com um único litro de gasolina.

Em dois anos, a PSA quer tornar essa tecnologia, chamada de hybrid air, uma realidade para consumidores do mercado europeu. Por enquanto, é só um projeto em desenvolvimento. Já a Toyota, maior montadora do mundo, voltou a rufar os tambores na capital francesa para o lançamento, no primeiro semestre do ano que vem, do FCV, seu sedã movido a célula de combustível, que substitui a gasolina pelo hidrogênio.

Para completar, a Lamborghini fez a estreia mundial de um superesportivo que combina o motor a gasolina com três propulsores elétricos, confirmando que os híbridos também ganham espaço na gama de alta velocidade.

Mas se ousaram na exibição de tecnologias, na maioria das vezes, inacessíveis ao grande público, as montadoras europeias, por outro lado, mostraram conservadorismo nos produtos comerciais lançados em Paris.

No momento em que a indústria tenta se reerguer na região após seis anos ininterruptos de queda nas vendas, a maioria das marcas apostou nos chamados carros de família – onde a demanda tem mostrado maior resistência à crise – num salão sem uma grande estrela. Minivans dominaram a cena nos lançamentos feitos por Renault (com a nova Espace), Volkswagen (Passat Variant), Ford (S-Max) e Dacia, a marca romena da Renault, que apresentou a perua Dokker.

Das novidades mostradas em Paris, quase nada vai ao mercado brasileiro, exceção do Audi TTS, um conversível que começa a ser importado no Brasil a partir do segundo semestre do ano que vem.

Mas, diversos modelos vão ser fabricados no Brasil. O Renegade, a ser montado pela Fiat Chrysler em Pernambuco, está no estande da Jeep. O EcoSport, desenvolvido no Brasil, agora dá seus primeiros passos na Europa, atraindo até o interesse de um número razoável de repórteres estrangeiros. Após lançá-lo na região há um ano com pré-venda de 500 carros pela internet, a Ford diz já ter 19 mil pedidos pelo EcoSport na Europa.

Fonte: Valor

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