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Ex-Ciência sem Fronteiras faz site com ‘guia de sobrevivência’ do bolsista

Nascido em Borda da Mata (MG), o estudante de engenharia de gestão na Universidade Federal do ABC (UFABC), Peirol Gomes, de 25 anos, quis transformar sua experiência de bolsista do Programa Ciência Sem Fronteiras em uma oportunidade de ajudar outras pessoas que desejam estudar no exterior e têm dúvidas sobre como é exatamente a “vida lá fora”.

“A ideia principal é que ele seja uma Wikipédia, totalmente colaborativo”, citou Gomes ao definir o projeto batizado de “MyCSF”, um site que reúne cartilhas, vídeos, depoimentos de bolsistas e outras informações que possam servir como um “manual de sobrevivência” dos bolsistas, com pretenção de se tornar uma “enciclopédia” no assunto de intercâmbio, de acordo com seu criador. O projeto usa o crowdsourcing (método para criação e captação de conteúdo por meio de pessoas do público) como principal força motriz.

O brasileiro ficou nos EUA entre junho de 2012 e agosto de 2013 como bolsista do CsF em engenharia da computação, e morou por dois meses em Boulder, no Colorado, onde fez um curso para aperfeiçoar o inglês, estudou nove meses na Universidade do Alabama em Huntsville e, por fim, finalizando o roteiro acadêmico na Universidade Stanford, na Califórnia, onde ficou por dois meses.

Depois de desistir da ideia de fazer um aplicativo como um trabalho durante sua estada na Universidade Stanford, Peirol voltou ao Brasil com a ideia de fazer uma ferramenta voltada para bolsistas do programa do governo, principalmente por achar que não havia um “manual de sobrevivência” para os estudantes.

“As pessoas me mandavam muitas perguntas. ‘Como é a vida aí? O dinheiro dá, é suficiente? Como é a cidade, o restaurante?’ E chegou num ponto que eu já tinha um texto pronto pra isso.”, brincou o mineiro, que começou o projeto com dois colegas ainda no exterior, mas acabou continuando sozinho.

“O principal objetivo do Ciência Sem Fronteiras é criar um incômodo nas pessoas. No início de 2016, teremos mais de 100 mil estudantes que estarão  incomodados com o Brasil. ‘Por que isso não funciona bem? Por que minha universidade lá é diferente daqui?’. A ideia é compilar isso tudo, [com] estudantes compartilhando suas experiências” detalhou Peirol, em relação ao projeto.

Cartilhas
Em “eterna construção” e com 10 mil usuários cadastrados, de acordo com seu criador, o MyCSF possui uma seção (ainda embrionária) de dicas com cartilhas elaboradas por meio das experiências vividas pelos estudantes em cada país, como EUA, Austrália, Canadá, França e Espanha – nações que recebem estudantes brasileiros.

Peirol destacou que não teve dificuldades em relação à burocracia da bolsa, mas que sentiu falta de informações mais triviais sobre o destino escolhido. “Não tive problema algum com bolsa, funcionou muito bem, a universidade era bem estruturada. Nosso problema era a falta de informação, porque a informação do governo é básica”, sublinhou Gomes, dizendo que relatos e dicas sobre a cidade, a faculdade e a vida do estudante no exterior eram mais relevantes

Nos documentos, diagramados com a ajuda de um amigo, há conselhos desde dicas sobre vacinas e medicamentos até informações sobre uso de cartões pré-pagos e a respeito de como se agasalhar em determinadas épocas do ano.

Após o cadastro gratuito, o aspirante a intercambista pode acessar e baixar essas cartilhas, ler depoimentos e notícias feitas por outros membros, além de assistir a vídeos que ensinam a preencher corretamente os diversos formulários necessários para dar entrada no pedido de bolsa.

Outros objetivos que o mineiro deseja alcançar até o fim do ano, publicar outras 4 cartilhas já prontas sobre outros países, além de um novo site do MyCsF, é virar uma “Wikipédia” voltada para intercambistas em geral, não só restrito a bolsistas do CsF.

Antes da virada do ano, Peirol também espera encontrar parceiros para investir na “gameficação” da plataforma, fazendo com que os usuários acumulem pontos e tenham posições em uma espécie de ranking de acordo com a quantidade de conteúdo que produzirem, pessoas que atraírem para o site, entre outros.

Ainda sem perspectiva de quando será possível monetizar a iniciativa, Peirol diz ter metas ambiciosas para o portal, ao passo em que for atraindo mais pessoas e a quantidade de conteúdo aumentar, além de confiar bastante na proatividade de antigos estudantes do CsF. “O bolsista tem essa característica de querer ajudar aos outros”, concluiu.

Fonte: O Globo

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