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Ethos busca modelos inovadores

O Instituto Ethos, entidade pioneira na disseminação do conceito de sustentabilidade junto às empresas brasileiras, lançou em São Paulo uma iniciativa que pretende elevar o patamar da gestão socioambiental e da inovação nos negócios no país. Batizado de Negócios Sustentáveis, o projeto reunirá nove grandes empresas com atuação no Brasil – Alcoa, BNDES, CPFL Energia, Fibria, IBM, Natura, Santander, Vale e Walmart, além de consultores das áreas de design, branding, economia e finanças e associações de classe.

O objetivo da iniciativa é formular novas modelagens de negócios, com foco em inovação e sustentabilidade, que possam ser replicadas em escala.

Por novas modelagens, entende-se o desenho narrativo-matemático de um negócio (produto, serviço ou processo), demonstrando sua viabilidade econômica e financeira no tempo – por meio, por exemplo, da taxa de retorno sobre os investimentos.

“A iniciativa pretende unir as experiências de grandes empresas que já possuem atuação relevante na área de sustentabilidade à contribuição de especialistas que ajudem a formular novas proposições de negócios que sejam viáveis economicamente”, explica Henrique Lian, diretor de comunicação e relações institucionais do Instituto Ethos.

Na prática, a iniciativa funcionará como um “think tank” (uma espécie de clube voltado à produção e disseminação de conteúdos estratégicos) de empresas e consultores especialistas. No prazo de um ano, a meta é lançar uma ferramenta prática: a modelagem do negócio sustentável.

Outro objetivo do projeto do Instituto Ethos é aproximar as empresas que buscam inovar com foco em sustentabilidade dos agentes financiadores. Essa é a razão pela qual o BNDES integra o projeto. Mesmo com quase R$ 1 bilhão disponíveis em linhas de créditos voltadas à economia verde (energias renováveis, eficiência energética, gestão de água, florestas e adaptação às mudanças climáticas, entre outras), o banco de fomento tem dificuldades em aportar recursos nessas áreas, pois grande parte dos projetos que chegam à instituição possui fragilidades técnicas. Por outro lado, as empresas se queixam da dificuldade de fazer os agentes financeiros entenderem quais projetos podem ser considerados sustentáveis.

“Muitas vezes, o empreendedor desenvolve uma nova tecnologia sustentável que não é compreendida pelo mercado, pelo banco ou pela seguradora, o que acaba tornando-a inviável economicamente”, diz Lian.

O programa começou a ser desenhado no ano passado, quando o Instituto Ethos estabeleceu 200 premissas básicas para definir um negócio sustentável. Após uma chamada pública para seleção de projetos, a instituição recebeu a inscrição de 91 casos empresariais e o presidente da entidade, Jorge Abrahão, decidiu transformar a iniciativa em um projeto de longo prazo.

O próximo passo do projeto será eleger os temas que servirão de base para a modelagem futura. Energia, resíduos e educação figuram entre as apostas do Ethos, mas as empresas poderão propor outros assuntos.

A fabricante de papel e celulose Fibria, por exemplo, pretende atrelar a questão da educação à qualificação da mão de obra e ao desenvolvimento das cadeias de fornecedores regionais.

“A escolha desses temas é pertinente aos nossos negócios e à nossa competitividade. Mas outras empresas podem ter os mesmos dilemas e se beneficiar dessa discussão”, diz Marcelo Castelli, presidente da Fibria. A companhia pretende também compartilhar suas práticas bem-sucedidas de gestão socioambiental e, assim, contribuir para a modelagem final.

“Temos um bom know-how em gestão de florestas e biodiversidade, certificação socioambiental da cadeia de custódia e engenharia social na resolução de conflitos com comunidades tradicionais”, afirma Castelli.

Para a fabricante de cosméticos Natura, o projeto tem o potencial de auxiliar empresas de todos os portes a identificar novas abordagens para a sustentabilidade. “É um objetivo ambicioso. Se concretizado, pode vir a ajudar várias empresas a pensar em desenvolver negócios de outra forma que não a usual”, afirma Denise Alves, diretora de sustentabilidade da Natura.

De acordo com a executiva, o modelo de negócios vigente consome recursos naturais, pressupondo que eles são infinitos, e também é complacente com as desigualdades sociais. “O modelo que queremos desenvolver pressupõe uma nova forma de pensar e fazer negócios, que não impacte o meio ambiente ou que até o regenere, além de gerar resultados sociais e financeiros positivos”, afirma ela.

Mostrar a viabilidade econômica dos negócios pautados pela economia verde deverá ser o principal legado do projeto, na avaliação de Camila Valverde, diretora de sustentabilidade do Walmart Brasil. “Nos últimos anos, empresas, ONGs e agentes do governo vêm levantando essa bandeira, mas na prática não há incentivos financeiros para os negócios sustentáveis, pois tudo é planejado nos moldes da economia tradicional”, diz Camila.

A maior rede varejista do mundo tem enfrentado dificuldades em construir uma cadeia sustentável e com rastreabilidade para a pecuária – a meta global do grupo é, até 2015, garantir que a carne vendida nas lojas da rede não seja oriunda de áreas de desmatamento. Com a participação no projeto, a rede espera colher inspiração para novas formas de atuar na relação com os fornecedores. “Essa é a oportunidade para pensar fora da caixa, compartilhar experiências e construir um novo caminho”, completa.

Fonte: Valor

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