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Estatal que produz chips, Ceitec prevê faturar R$ 100 milhões em 2018

Com a expansão do portfólio nos últimos anos e o domínio de etapas mais amplas dos processos produtivos, a Ceitec, que desenvolve e produz chips de identificação por radiofrequência (RFID na sigla em inglês), ingressa agora em uma fase mais acelerada de crescimento. Controlada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), a estatal prevê faturar entre R$ 7 milhões e R$ 10 milhões neste ano, ante R$ 3 milhões no ano passado, e projeta cobrir integralmente as despesas com pessoal, custeio e investimento já em 2018 com receitas próprias de pouco mais de R$ 100 milhões. “Em 2018 estaremos na faixa de US$ 200 mil de faturamento por funcionário por ano, enquanto no mundo a indústria [do setor] fatura de US$ 100 mil a US$ 500 mil por empregado por ano”, diz o presidente da Ceitec, Marcelo Lubaszewski. Segundo ele, a proposta orçamentária para este ano é de R$ 78 milhões para custeio e investimentos. Se for considerada a folha de pagamento de 230 funcionários, o orçamento chega a R$ 100 milhões. Os valores são iguais aos do ano passado

A história da Ceitec remonta ao início dos anos 2000, quando foi constituída como associação civil sem fins lucrativos dentro da política nacional de semicondutores do governo federal. Em 2008 ela foi convertida em empresa pública e em 2011 concluiu a construção de sua fábrica em Porto Alegre. O primeiro concurso público para contratação de pessoal ocorreu em 2012. O Ministério da Ciência e Tecnologia já aportou R$ 670 milhões na operação, até o fim do ano passado. Hoje a empresa tem quatro modelos de chips em produção e outros dois em desenvolvimento, que devem entrar em linha até o ano que vem. Conforme Lubaszewski, o volume de vendas chegou a 10 milhões de unidades em 2014 e deve dobrar em 2015. “Já entregamos um lote de 5 milhões de unidades em janeiro”, diz o executivo. Segundo ele, a capacidade instalada da fábrica varia de 6 milhões a 75 milhões de semicondutores por ano, dependendo da complexidade do produto.

O primeiro modelo desenvolvido pela Ceitec, de baixa frequência e destinado à identificação animal e rastreabilidade bovina, entrou no mercado em 2011. Cerca de 70% do processamento dos discos de silício que dão origem a este chip (etapa conhecida como “front­end”) já é executado pela empresa, enquanto 30% são feitos pelaalemã XFab, que transfere a tecnologia para a empresa brasileira. O índice de produção local era de 40% em 2014 e a estimativa é que chegue a 100% até o início de 2016. Concluído o processamento, a Ceitec testa, afina e corta os discos (ou “wafers”) e faz o “encapsulamento” dos chips individuais, que consiste na ligação dos circuitos internos que permitem a comunicação dos semicondutores com os dispositivos nos quais eles serão embarcados. Estas fases correspondem ao chamado “back­end”, área da empresa que em janeiro recebeu a certificação ISO 9001, após auditoria da americana ABS Quality Evaluations.

A Ceitec também faz o “back­end” dos três modelos de ultra alta frequência (UHF) da estatal destinados à identificação, monitoramento e rastreamento de veículos, bagagens, cargas e produtos que são fabricados sob regime de terceirização pela TSMC, de Taiwan. Segundo Lubaszewski, os mercados para esses semicondutores, lançados entre 2011 e 2013, incluem 76 milhões de veículos e mais de 200 milhões de cabeças de gado no país e a “internet das coisas”, que conecta aparelhos e objetos a bases de dados, abre outro potencial imenso de aplicações. Além dos produtos em linha, a Ceitec desenvolve para a Novus, uma empresa gaúcha focada em processos de automação, protótipos de um chip com medidor de temperatura para controle de produtos relacionados à saúde e à alimentação. A estatal também está em fase de certificação de um modelo de semicondutor de identificação pessoal criado para a Casa da Moeda e que deve ser aplicado aos passaportes brasileiros a partir de 2016, explicou Lubaszewski.

Fonte: Valor

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