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Escolas ensinam crianças e adolescentes a empreender

Planos de negócio, estratégias de marketing e venda, desenvolvimento de produtos, captação de recursos e trabalho em equipe. Todas essas ações são comuns em um ambiente corporativo. A novidade é que agora as escolas de ensinos fundamental e médio estão trazendo o empreendedorismo para dentro da sala de aula. Essa já é uma realidade em colégios como Bandeirantes, Rio Branco, Vera Cruz, Anhembi-Morumbi, Anchieta, entre outros.

No Colégio Bandeirantes, um grupo de alunos, com idade entre 16 e 17 anos, captou R$ 10 mil via crowdfunding (financiamento coletivo) e fechou um patrocínio com a Itambé para a produção de um protótipo de carrinho de Fórmula 1. “Os estudantes que gostam de exatas ficaram responsáveis pela engenharia. Já aqueles com habilidade em humanas cuidaram do plano de marketing, da comunicação visual da escuderia”, explica Mauro Salles, diretor-presidente do Colégio Bandeirantes.

Essa é a primeira vez que estudantes brasileiros participam da F1 in School, projeto em que estudantes de 40 países criam uma réplica em miniatura de um carro de Fórmula 1 para participar de uma competição que ocorre em Abu Dhabi, em novembro, em paralelo à corrida oficial da Fórmula 1.

“São cinco escolas brasileiras participando do projeto. Não é uma tarefa simples porque não basta a vitória na pista. Outros atributos como design, divulgação da escuderia, apresentação e entrosamento da equipe contam pontos na avaliação final”, conta Manoel Belém, responsável pela F1 in School no Brasil. A equipe vencedora ganha uma bolsa de estudos no curso de engenharia na London City University, na Inglaterra.

O interesse do Bandeirantes surgiu a partir de uma discussão que vem ganhando força na área da educação: pesquisa acadêmica versus mercado. “Em conversas com a Poli e o CNPQ discutimos sobre como a pesquisa científica é pouco atrelada às demandas do mercado de trabalho no Brasil. Esse foi um dos elementos que nos motivou a criar ações voltadas ao empreendedorismo”, explica o presidente do Bandeirantes.

Sergio Friedman, professor do Vera Cruz, que oferece um curso extracurricular de empreendedorismo há nove anos, destaca que o maior benefício do empreendedorismo nas escolas é o desenvolvimento de habilidades como trabalho em equipe, responsabilidade e liderança. De olho nessa demanda, um dos investimentos da Península, fundo que administra a fortuna da família Diniz, é na Mind Lab, empresa de metodologia pedagógica para desenvolvimento de habilidades cognitivas. Por meio de jogos, os alunos são desafiados a resolver problemas, tomar decisões em grupo, ter raciocínio lógico e trabalhar questões sócio-emocionais – elementos exigidos num ambiente corporativo. Os programas da Mind Lab estão 300 escolas privadas e 700 públicas no país.

O Colégio Rio Branco desenvolve o empreendedorismo atrelado a projetos culturais e sociais. Neste ano, cerca de 40 alunos participaram do musical “Grease: Nos tempos da Brilhantina”. A atuação dos estudantes não se limitou à interpretação dos personagens do musical que teve um custo de cerca de R$ 50 mil. “Buscamos recursos com parceiros. A Bandar, fabricante de uniformes escolares, por exemplo, nos ajudou com iluminação e camisetas para os ensaios. O colégio forneceu microfones e os professores de arte montaram o cenário”, diz José Vinícius Toro, ator e ex-aluno do Colégio Rio Branco, que coordenou o projeto.

Ana Paula Ciriaco Camargo, assessora de aprendizagem do Rio Branco, lembra que um dos pré-requisitos no processo seletivo de universidades do exterior é a participação dos alunos em projetos sociais, ambientais e de empreendedorismo. “Com o programa Ciência Sem Fronteiras, aumentou a procura de alunos por universidade de fora. Temos várias iniciativas que se enquadram nas demandas de instituições de fora, mas elas não estão sistematizadas. Agora, estamos reorganizando essas ações para incluir no currículo do aluno”, diz Ana Paula.

No Colégio Anhembi-Morumbi, o empreendedorismo é uma das disciplinas da grade curricular desde o ensino fundamental I. Quando os alunos chegam ao ensino médio, eles criam uma mini empresa. Cada aluno investe R$ 10 como capital inicial e depois o “aluno-acionista” vende suas ações para levantar recursos e viabilizar o negócio. Os produtos criados pelos estudantes são vendidos em uma feira de empreendedorismo no Shopping Eldorado, em São Paulo. “O lucro é revertido para uma ONG. A filantropia, tema muito debatido atualmente, também é trabalhada nas aulas”, conta Marco Gregori, CEO da Eduinvest, holding dona das escolas Anhembi-Morumbi e Anchieta.

Fonte: Valor Econômico

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