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Empresas globais ocupam papel de destaque em P&D

As multinacionais exercem atuação marcante no ecossistema de inovação. Além dos investimentos realizados em centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D), essas companhias fomentam práticas como a inovação aberta e contribuem para inserir o Brasil nas redes globais de pesquisa. Estudo realizado pela Fundação Dom Cabral (FDC) identificou que as estratégias de criação das multinacionais costumam envolver todos os elos das cadeias de valor (fornecedores, clientes, universidades, institutos de ciência e tecnologia, os concorrentes e a sociedade).

Para obter este alcance, os projetos englobam capacitação de pessoas do ensino básico à pós-graduação, investimentos em pequenas e médias empresas – por meio de fundos corporativos -, adoção de tecnologias e sistemas em diversas áreas do conhecimento e articulação com entidades governamentais. “As unidades de pesquisa estão conectadas com as matrizes e outras subsidiárias, enriquecendo o sistema brasileiro com experiências internacionais de desenvolvimento de produtos e serviços”, explica Carlos Arruda, coordenador do núcleo de inovação da FDC.

Ronald Dauscha, diretor de estratégia e inovação da Siemens, explica que é importante conhecer o mercado onde se atua e desenvolver soluções para ele e a partir dele. A Siemens é um exemplo das que apostam na geração local de conhecimento. Mantém no Brasil oito centros de pesquisa e desenvolvimento.

No mundo todo são 160 unidades dedicadas à inovação. Entre as estruturas, destaca o trabalho do laboratório de Curitiba que, em conjunto com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná, estuda sistemas inteligentes (os smart grids) para o segmento de energia. “O consumo de energia elétrica é crescente no Brasil. Temos mercado e entidades de pesquisa capacitadas para desenvolver projetos em conjunto”, comenta.

A carteira de pesquisa da Siemens é composta por projetos para aplicação específica no mercado brasileiro e também por soluções com potencial de vendas global. Para fortalecer a atuação inovadora, a empresa alemã mantém os olhos abertos nas empresas novatas, ou startups. “Selecionamos projetos e realizamos eventos para conhecê-los. A proximidade com empreendedores de base tecnológica fortalece a estratégia de inovação”, diz Dauscha.

Na operação brasileira da Whirlpool, 600 profissionais estão diretamente envolvidos com a pesquisa e desenvolvimento de produtos. A estrutura é composta de quatro centros de P&D, que juntos somam 23 laboratórios. Entre os centros, a empresa destaca o de excelência em refrigeração, que produz inovações para a base global da empresa. “O Brasil é protagonista na divisão de pesquisa. Lideramos projetos internacionais”, destaca Guilherme Lima, diretor de relações institucionais da Whirlpool Latin America. Segundo ele, as novidades respondem por 24% das vendas da empresa no país. A meta é lançar 180 produtos só neste ano. Entre as estratégias seguidas no Brasil, Lima destaca a parceria com as universidades e planos de carreira atrativos para os pesquisadores. “A atuação em uma multinacional traz muitas chances de crescimento.”

Para ilustrar o protagonismo do Brasil no P&D da Whirlpool, Lima cita o lançamento do B.blend – máquina de bebidas da Brastemp. “O produto chegou para mudar o mercado, é disruptivo”, afirma. A inovação está em integrar dez categorias de bebidas em uma única máquina, que produz desde água gaseificada, a cafés e refrigerantes. “A operação é feita por cápsulas e não há gosto de uma bebida interferindo na outra”, explica. Com o eletrodoméstico, o consumidor pode preparar a bebida que quiser em casa. “A equipe brasileira que desenvolveu o B.blend trabalhou com a cadeia de fornecimento de cápsulas na Europa, mostrando que estamos preparados para liderar projetos de cooperação internacional entre empresas”, conta Lima.

A Basf também aposta no potencial do Brasil e tem a seu favor a presença centenária no país. Por aqui estão os três laboratórios globais que a empresa mantém na América do Sul. Não podia ser diferente, pelo tamanho e intensidade tecnológica do agronegócio. Ao todo, 370 profissionais – em 14 divisões de negócios – atuam no P&D. Entre as novidades, Rony Sato, gerente de inovação da Basf, destaca o recém-inaugurado Centro de Aplicações de Nutrição e Saúde. A unidade, instalada em Jacareí (SP), recebeu mais de um milhão de euros em aportes e expandirá a rede de inovação global da Basf para as indústrias alimentícia e farmacêutica na América do Sul. “A proximidade com os fabricantes de alimentos é essencial para as estratégias de inovação. Temos no Brasil, ambiente perfeito”, comenta Sato.

Entre as parcerias para inovação, Sato destaca os acordos com a Embrapa, a Universidade Estadual de Maringá (PR) e com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A atuação da equipe de pesquisa é intensa também na transferência de tecnologia para o campo. Além dos centros de P&D, a empresa mantém 30 laboratórios de desenvolvimento de aplicação e suporte. “Atuamos junto ao cliente para garantir o uso correto das inovações”, diz Sato.

Fonte: Valor

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