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Empresas devem ter um plano diretor para TI

Embora a agilidade do varejo coloque na linha de frente da operação a necessidade cotidiana de gerar vendas, a criação de um plano macro ajudará a definir prioridades e otimizar custos e recursos da área de tecnologia. “A organização de TI deve evoluir para adotar novas práticas de planejamento estratégico, enfatizando foco contínuo e disciplina extrema”, aconselha Cássio Dreyfuss, do Gartner. “É necessário trocar o conceito de tecnologia da informação por tecnologia de negócio. Não se trata só de reduzir custos, mas de aportar negócios, usando a tecnologia para inovar e agregar valor”, diz Joe Gudiño, diretor da Softtek, responsável por tecnologia de nuvem.

O diretor de TI da rede de supermercados Sonda está percebendo os benefícios da adoção de um plano diretor de tecnologia da informação (PDTI). Ex-militar, Ricardo Scheurer atua há 26 anos na empresa e há três começou a desenvolver a iniciativa, impulsionado pela adoção do ERP da SAP. “Via de regra o varejo não tem tempo de planejar. Mas tem de arrumar tempo para refazer”, observa.

Segundo ele, sem plano definido, os investimentos de TI no varejo acabam sendo acionados por fatores externos, como fisco ou obsolescência. Mesmo assim podem ser otimizados e ganhar uma visão integrada. “Quem já fez todo o necessário para atender exigências fiscais tem dados para uma gestão logística mais eficaz”, aponta.

Além disso, a falta de plano centralizado pode levar à desintegração tecnológica – cada departamento fará o seu para atender necessidades imediatas, criando uma colcha de retalhos tecnológica.

O diretor explica que um dos aprendizados ao longo do processo foi a necessidade de PDTI e planejamento estratégico da empresa caminharem juntos, já que as decisões tecnológicas serão direcionadas pelas estratégicas. Um dos exemplos relacionados à implantação do ERP, iniciada há dois anos, foi detectado no momento em que os cupons de venda começaram a chegar ao servidor central para fechamento de caixa. Sem definição do planejamento estratégico sobre a necessidade de baixa do estoque em tempo real, no momento em que a decisão foi tomada percebeu-se que os dados de algo perto de 300 mil cupons de venda por mês, de 32 lojas, demoravam muito para chegar ao datacenter, provocando defasagem que podia chegar até 10% do resultado. “Descobrimos problemas com links, infraestrutura de rede e aplicação de ponto de venda”, descreve.

O jeito foi parar o projeto, retomado só depois da revisão de toda a estrutura de frente de caixa, o que demandou investimentos para substituição do software criado há quase 30 anos, switches, cabeamento, links. O mesmo gap entre planejamento estratégico e de TI levou a outra interrupção quando o ERP passou a ser alimentado com produtos, já que ainda não está clara a definição de posicionamento de preços e produtos para as duas bandeiras da rede, Sonda e Cobal.

Fonte: Valor Econômico

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