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Embrapa reage às multinacionais

Principal centro público de geração de conhecimentos para o agronegócio, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) passou a perder terreno no mercado de sementes, especialmente no segmento de transgênicos, a partir da edição da Lei 9.456, de abril de 1997, que instituiu o direito de proteção de cultivares no país. Frederico Ozanan Machado Durães, gerente-geral da Embrapa Produtos e Mercado, diz que a participação da empresa no mercado de cultivares de soja, que já alcançou 60% no passado, hoje está limitada a algo em torno de 10%.

A ausência de proteção, acrescenta o pesquisador responsável pelo laboratório de engenharia genética da Embrapa Recursos Genéticos, Francisco Aragão, desestimulava o investimento privado no setor, já que as tecnologias produzidas eram de domínio público. Além da edição de lei de cultivares, retoma Durães, a tendência acirrada de consolidação neste mercado, seguindo “a lógica de verticalização comercial” adotada pelas grandes empresas do setor, muitas multinacionais, também reduziu o espaço ocupado pela Embrapa.

“Atualmente, as empresas de químicos também dominam o mercado de sementes, ou seja, ofertam soluções de sistemas de produção completos que dificultam a concorrência de empresas que operam somente com sementes e mudas”, afirma Durães.

Mas a empresa, destacam os dois pesquisadores, já trabalha para assegurar uma fatia mínima e estratégica no mercado, reforçando seu papel de regulação no setor e de defesa da concorrência. “A Embrapa está determinada a firmar e expandir sua posição no mercado de cultivares, serviços e inovação para a agricultura nacional, de forma compartilhada, visando garantir a oferta e livre concorrência nesse segmento”, reforça Durães.

Além dos esforços desenvolvidos no desenvolvimento de sementes convencionais, com mais de 280 cultivares distribuídos em cerca de 40 espécies comerciais, prossegue ele, a empresa está reestruturando sua área de negócios, buscando arranjos comerciais e novos parceiros com o objetivo de complementar a oferta de sementes e mudas e ampliar seu raio de ação e capilaridade, incluindo fertilizantes e outros insumos agropecuários.

“A reestruturação prevê o fortalecimento em novos ativos de altíssimo valor agregado, por meio de parcerias público-privadas no setor de pesquisa e desenvolvimento”, afirma Durães. Faz parte dessa estratégia a criação, em parceria com a Unicamp, da Unidade Mista de Pesquisa em Genômica Aplicada a Mudanças Climáticas (Umip GenClima).

Ele acrescenta que a Embrapa tem conseguido conquistar novos espaços a partir do programa Soja Livre, desenvolvido em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja) e a Associação Brasileira dos Produtores de Grãos Não-Geneticamente Modificados (Abrange). Hoje, os cultivares da empresa respondem por quase 30% da área cultivada no país com sementes convencionais.

Nos transgênicos, a tecnologia do feijão resistente ao vírus do mosaico dourado, que tem provocado perdas de 90 mil a 280 mil toneladas à cultura no país, foi aprovada em setembro de 2011 pela Comissão Nacional de Biossegurança (CTNBio) e deverá desembarcar no mercado em 2015, depois de quase duas décadas de trabalhos, num investimento estimado em US$ 3,5 milhões.

Fonte: Valor

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