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Ecossistema inovador pede visão de longo prazo

Pensamento global, foco na necessidade do cliente, melhorias no ambiente regulatório, maior esforço de comercialização e apoio a iniciativas já em andamento são alguns dos fatores que estimulam a formação de ecossistemas de empreendedorismo de alto impacto. Os exemplos apresentados por representantes do poder público, do meio acadêmico, investidores e empreendedores no Seminário de Estratégias para Inovação e Empreendedorismo, promovido este mês na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), reforçaram ainda a necessidade de instrumentos de estímulo à cultura e à confiança para apoiar a inovação e abrir caminhos aos empreendedores.

Marcos Bravo, diretor do instituto de inovação IC², da Universidade do Texas, detalhou por videoconferência como a cidade se tornou um dos polos de crescimento econômico e inovação dos EUA nos anos 80 a partir de um plano estruturado que uniu todo o ecossistema formado por governo, universidade, incubadoras, capital de risco e empresariado.

Hoje, o quarto destino predileto do capital de risco do país, com 3,6 mil patentes por ano, Austin se beneficiou de iniciativas como um programa de atração de gigantes mundiais da tecnologia e a criação de um fundo de investimento pelo Estado do Texas. Segundo ele, os ingredientes essenciais para transformar uma região são o que ele chamou de “hardware” da sociedade, ou talentos, infraestrutura física e políticas, e o “software”, ou a cultura e a forma de trabalho conjunto entre as pessoas.

Campinas, por exemplo, é uma das regiões parecidas com Austin por aqui, mas, para Bravo, padece frente à necessidade de visão de longo prazo para o desenvolvimento do ecossistema e de maior cultura global. Milton Mori, diretor executivo da Inova, agência de inovação da Universidade de Campinas, enumerou resultados como 240 empresas filhas, entre elas empresas de classe mundial como Movile e Ci&T, somando 15 mil empregos e R$ 1,5 bilhão de faturamento anual. Uma das iniciativas em curso é a inauguração de um edifício de 2,8 mil metros quadrados, que terá dois andares ocupados pela Lenovo.

Com destaques como ANS Farma, criadora de uma pomada para cicatrização de pacientes com diabetes que já atraiu o interesse de empresas internacionais, e Griaule Biometrics, que tem clientes como Bradesco e Tribunal Superior Eleitoral para impressão digital, Mori aponta dificuldades para alavancar as incubadas como a alta carga de impostos, a burocracia e o marco regulatório que impossibilita, por exemplo, investimentos das universidades públicas nas incubadas. “Também faltam especialistas em negócios, marketing e vendas das incubadas. Nos Estados Unidos o investidor dá orientação de marketing e vendas, aqui só aporta recursos”, aponta.

A prefeitura está colaborando: a partir do ano que vem startups podem ter isenção de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e redução da alíquota do Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN) de 5% para 2%.

Outra ação é a busca de parcerias com grandes empresas. “Universidade que não encontra parceiro privado para trabalhar junto dificilmente terá contato com realidade que é inovação”, lembrou Patricia Gestic, diretora de propriedade intelectual da agência.

Para o diretor de operações do programa Startup Brasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Felipe Matos, outra dificuldade do ecossistema são liquidez, já que a evolução na área de financiamento ainda não tem contrapartida em oportunidades de saída para o investidor, educação e sistema tributário.

“Em oito anos o número de universitários dobrou no país e mais de 50% querem empreender, mas nunca tiveram contato com empreendedorismo”, observa.

O professor do Insper Marcelo Nakagawa também colocou foco na sustentação do negócio. “Há muitas iniciativas de start e muito poucas de up”, resumiu. A avaliação do impacto que poderia gerar, por exemplo, o uso de um aplicativo como Easy Taxi nas despesas da instituição e como oferta para clientes da seguradora, colaborou para o surgimento do Inova-BRA, programa de alavancagem de empresas inovadoras do Bradesco.

Já o gestor do Pitanga, fundo de capital de risco criado pelos donos da Natura e do Itaú, o biólogo Fernando Reinach, lembrou que na natureza o ecossistema é cruel, não colaborativo, e entre as empresas, a mortalidade é alta e a competição, louca.

Fonte: Valor

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