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É hora de fiscalizar os projetos privados financiados com dinheiro público dizem os cientistas

O Brasil precisa produzir mais cientistas e aumentar o investimento em ciência e tecnologia, hoje, em torno de 1%, quando em países mais desenvolvidos, esse percentual é bem maior. Especialistas da área apontam ainda que o Brasil está ficando para trás em número de cientistas por habitante. Aqui são cerca de 600 por milhão de habitantes. Nos países com mais apoio à Inovação, esse número chega a dois mil cientistas por milhão de habitante.

Os cientistas também reclamam da falta de acompanhamento do governo, em especial, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, dos projetos da iniciativa privada financiados com dinheiro público.
“A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) movimentou R$50 bilhões em subvenção há cerca de um ou dois anos para a iniciativa privada. Recursos dessa natureza e para empresas desse porte têm que ser muito bem avaliados, pois como os juros são abaixo dos do mercado há tentação grande de usar esse recursos para o fluxo de de caixa em vez de usar para inovação diferencial. A empresa continua fazendo a inovação que sempre fez e utiliza esses recursos para outras atividades”, pontuou o o físico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Luiz Davidovich, integrante da Academia Brasileira de Ciências.

As ponderações foram colocadas para o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, em evento realizado no Rio de Janeiro, na noite dessa segunda-feira, 25/01. Pansera admitiu que o Brasil “não tem um sistema seguro de medição de resultados de pesquisas” na área. “Não há medição, não sabemos qual o nível de eficiência que está sendo investido com ciência, tecnologia e inovação”, disse, durante apresentação da Proposta da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2016-2019 à comunidade científica do Rio de Janeiro. As contribuições ao documento podem ser feitas até sexta-feira (29) por e-mail ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

“Já encomendamos um trabalho com diversos pesquisadores para formatar um sistema para medir a eficiência do que é investido em ciência e tecnologia no Brasil, qual o resultado, o que de fato é produzido e tem impacto na vida das pessoas. Há padrões internacionais, vamos adaptá-los a nossa realidade. Quanto mais eficiente, mais recursos”, acrescentou. O ministro anunciou ainda que está negociando a assinatura de um empréstimo de U$2 bilhões de dólares com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bid) para a ampliação da infraestrutura em pesquisa no país, em projetos voltados para segurança cibernética, hídrica, alimentar e segurança energética, entre outros. As unidades de  pesquisa do ministério e os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia estão entre os beneficiados pelo eventual empréstimo.

“Também já praticamente fechamos com o BNDES [Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social] recursos do Fundo Amazônia, e o Funtel [Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações] nos repassou R$200 milhões e estamos negociando mais”, informou. De acordo com o ranking global de inovação do Information Technology and Innovation Foundation (ITIF), o Brasil ocupa a 41ª colocação no ranking global de inovação.

O relatório avaliou 56 países que, juntos, compõem cerca de 90% da economia em todo o mundo. Os autores examinaram 14 fatores que não só apoiam a inovação no mercado interno, mas que têm efeitos positivos indiretos mundialmente, como sistemas de apoio fiscais e investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e de capital humano, além de outros 13 fatores que têm repercussões negativas, como localização forçada e fraca proteção à propriedade intelectual.

Fonte: Convergência Digital

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