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As diferenças entre o trabalho corporativo e as startups

Devido à dificuldade de encontrar estabilidade no mercado de trabalho, muitos profissionais passaram a investir em projetos de empresas para obter liberdade financeira e crescer mais rápido na carreira. E a tendência é que essa migração seja ainda mais frequente nos próximos anos, já que estamos lidando com um mercado de startups tão aquecido.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Anjos do Brasil – organização sem fins lucrativos que incentiva o apoio ao empreendedorismo e à inovação –, o número de investimento-anjo injetado em startups cresceu 25% no Brasil entre junho de 2012 e julho de 2013. E com o país em destaque nessa Copa do Mundo, o cenário para 2014 deve ficar ainda melhor.

Nesse contexto, muitas pessoas que desejam largar o cargo em uma companhia para assumir um novo projeto ou fundar a própria empresa ainda podem ter dúvidas se realmente conseguirão se adaptar ao estilo diferente de trabalhar e de comandar entre esses dois mercados.

Para identificar as principais diferenças entre cada ambiente de trabalho, a INFO conversou com especialistas e empresários que esclarecem as principais diferenças, vantagens e desvantagens de investir em uma carreira de startups.

Quem é meu chefe?

Uma das maiores diferenças entre os dois ambientes de trabalho está na burocracia. No início as startups têm equipes muito enxutas, não há hierarquia e nem uma lista de atividades definidas para cada membro. Por isso, esqueça-se do método tradicional de consolidação de carreira por meio de promoções de cargo e reconhecimentos.

Nas startups, todos os envolvidos desempenham um papel fundamental no desenvolvimento da proposta para que ela alcance o resultado desejado. “Diferentemente das organizações que já tem equipes e setores distribuídos, em uma startup tudo está interligado, e é preciso ter foco na realização do projeto para gerar lucro”, afirma o gestor de carreiras e projetos da Top Quality Jobs, Giovani Falcão.

Quem precisa sempre de um líder para tomada de decisões ou coordenar suas atividades também deve analisar se realmente deseja entrar em um projeto. Diferente de uma empresa, na startup todos têm que ter um olhar de dono no negócio, diz Falcão.

A vantagem para quem se adapta facilmente a esse mundo dinâmico é a possibilidade de sugerir novos direcionamentos na empresa, participar ativamente da tomada de decisões e mais autonomia para lidar com as responsabilidades. Segundo Genny Sion, consultora da MSA Recursos Humanos, quem é bem sucedido nesses aspectos tem muito mais chance de alavancar a carreira em um curto período de tempo.

Para Eduardo Almeida, fundador da startup Peela, o impacto dessa migração não foi tão grande. “Trabalho é sempre trabalho. Mas é claro que com visão de dono isso tudo é anabolizado e você se torna o principal ator para que sua empresa seja reconhecida, obtenha lucro e gere valor para toda a cadeia”, conta.

Qual o perfil de um profissional de startup?

Além de um perfil empreendedor, independência e capacidade de assumir múltiplas responsabilidades em um projeto, o profissional que deseja se preparar para entrar em um ambiente de startup precisa conhecer muito sobre a área do projeto que irá assumir.

Segundo o diretor da consultoria de gestão empresarial Great Group, Júlio Amorim, um dos maiores erros cometidos por quem assume um novo projeto é a falta de conhecimento no mercado que ele será aplicado. “Mesmo que o profissional tenha perfil e já tenha vindo de outras startups, ele precisa estudar cada projeto, pois cada um é diferente”, diz.

Outras características fundamentais para quem vai entrar nesse mercado são proatividade, foco e produtividade. Também é preciso ser organizado o suficiente para realizar o trabalho remotamente – já que muitas startups não dispõem de um escritório no início de sua formação.

Por ter foco totalmente centrado em bons resultados, o profissional deve saber lidar com a pressão, que é bem maior quando ele atua em uma estrutura horizontal de negócio.

Ex-advogado da empresa BM&A, Pedro Prellwitz conta sua experiência quando se tornou sócio da startup Men’s Market – uma loja online de produtos masculinos. “O trabalho era bem diferente, principalmente em relação à pressão, que era dividida entre os sócios e advogados do escritório. Numa startup essa pressão acaba ficando mais centralizada nos sócios que gerem o negócio, por assumirem compromisso com investidores”, diz.

Fonte: Exame

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