+55 (61) 9 7400-2446

Destaques

De vila de pescador a centro de eletrônicos

Localizada no sul da China, a cidade de Shenzhen (lê-se “xãndjãn”) está para a fabricação de produtos e componentes eletrônicos assim como o Vale do Silício, nos Estados Unidos, está para a criação de serviços na internet.

Na verdade, não seria errado dizer que Shenzhen é o local de nascimento de boa parte dos equipamentos comprados todos os dias ao redor do mundo. Um feito considerável para um lugar que, em pouco mais de 30 anos, passou de um vila de pescadores para uma das cidades mais populosas da China, com 15 milhões de habitantes espalhados por seus 1.191 quilômetros quadrados.

Só em tablets, a estimativa é que 45% dos aparelhos vendidos no mundo saiam do local. Desenvolvidos por empresas desconhecidas que se aglomeram na região de Huaqiangbei, centro comercial de eletrônicos localizado na zona norte da cidade, eles são comprados em grandes lotes por companhias de vários países e vendidos sob outras marcas.

E não é difícil encontrar fornecedores. Entre as lojas que vendem smartphones, tablets e outros eletrônicos de marcas conhecidas como Samsung, Apple e Nokia, trabalhadores se espremem em pequenas bancadas, dividindo espaço com microscópios, aparelhos de solda e componentes eletrônicos usados para criar produtos.

Shenzhen também é o berço de iPhones, iPads e outros mais conhecidos do público. A fabricação desses aparelhos é feita por companhias especializadas na produção de eletrônicos sob encomenda como a Foxconn. A companhia – que já prometeu investimentos bilionários no Brasil, mas não os levou adiante – tem duas unidades instaladas na cidade. Ao todo, são quase 400 mil funcionários que, na maioria das vezes, trabalham e moram nas dependências da empresa. A Huawei, que nasceu em Shenzhen nos anos 80 e fabrica celulares e equipamentos de telecomunicação na cidade, tem outros 40 mil.

Curiosamente, comprar eletrônicos aqui não é o mais indicado. Para pagar menos, o ideal é pegar um carro ou um ônibus e ir até Hong Kong, que fica a cerca de uma hora e meia de Shenzhen. A ex-colônia britânica que voltou ao domínio chinês em 1997 tem isenção de impostos para produtos eletrônicos. Em Shenzhen, os incentivos fiscais valem apenas para os produtos que são exportados.

A história da cidade começou no fim dos anos 70 quando a vila de pescadores foi transformada na primeira Zona Econômica Especial do país. Hoje, a cidade respira modernidade e opulência. O primeiro impacto é na chegada à cidade, no aeroporto Bao’an, que tem uma impressionante estrutura vazada, que lembra uma colmeia. Por suas ruas e avenidas largas, carros de luxo como Lamborghinis e Masseratis circulam tranquilamente. Na região central, o KK100, com seus 100 andares, figura na lista dos prédios mais altos do mundo.

“De forma geral, a vida é muito boa, boa rede de transporte e segurança também. Nos adaptamos melhor e mais rapidamente que pensávamos”, disse o engenheiro brasileiro Ricardo Augusto, que mudou para Shenzhen há dois anos para trabalhar no marketing de uma empresa de eletrônicos. A estimativa é que 90% da população da cidade esteja na condição de Augusto, tendo migrado para cá nos últimos anos.

O crescimento acelerado não veio, claro, sem consequências. “Os aluguéis estão muito caros”, reclama a guia turística Liang Liu, que se mudou para cá há seis anos. Segundo ela, o preço do metro quadrado subiu mais de quatro vezes desde 2006, chegando a 30 mil yuans, ou cerca de R$ 12 mil. O salário médio em Shenzhen está na faixa de 4,5 mil yuans, mais que o dobro da média nacional, de 1,8 mil yuans.

Fonte: Valor

Próximos Eventos