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De olho na eficiência, indústria quer mudar ensino de engenharia

O ensino da engenharia entrou na mira do setor industrial como um dos fatores que limitam o aumento da eficiência dentro das fábricas.

Segundo dados compilados pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), entre 2008 e 2011, aumentou em 67% o número de estudantes matriculados em engenharia –cinco vezes mais que a média dos demais cursos.

Para a entidade, porém, a maior parte desses jovens sairá das salas de aulas com deficiências na formação.

“Aumentar a quantidade é importante”, diz Gianna Sagázio, diretora de inovação da CNI. “Mas, se a gente quer uma economia fundamentada em inovação e crescimento de longo prazo, precisamos modernizar a formação dos engenheiros.”

A sugestão da entidade é mudar o currículo nas universidades, incluindo disciplinas que incentivem a criatividade, o empreendedorismo e a inovação, reduzindo a carga técnica, como o cálculo.

O diagnóstico é que o curso é “maçante”, principalmente nos anos iniciais, o que leva muitos estudantes a desistirem da formação. Segundo a CNI, só quatro entre dez universitários de engenharia concluem o curso. No direito, por exemplo, são nove formandos em cada dez alunos.

Outra sugestão é criar uma espécie de “residência”, como a médica, para engenheiros recém-formados, o que já existe entre ITA e Embraer.

Representante do Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia), Francisco Ladaga diz que é preciso melhorar o ensino da engenharia e enxugar o número de especialidades, mas é contra reduzir aulas técnicas.

“Querem facilitar o curso porque precisam de mais engenheiros. Não será assim que teremos mais cientistas.”

Documento entregue pela CNI aos candidatos à presidência elenca 42 áreas para ação do próximo governo, com o objetivo de melhorar a eficiência da economia e restaurar o crescimento.

A CNI pretende reunir 700 empresários para discutir os temas com os candidatos Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) nesta quarta-feira.

  • RAIO-X DA ENGENHARIA

4 entre 10 estudantes
que entram no curso de engenharia concluem a formação. A taxa de evasão chega a 61%. Na Medicina, a desistência é de 1% e, no Direito, 13%

5%
dos formados no ensino superior são engenheiros. Na Coreia do Sul, por exemplo, esse percentual é de 23%

95%
dos doutores formados em engenharia atuam nas universidades. Apenas 1,7% do total estão trabalhando na indústria. Nos EUA, 60% dos doutores formados estão nas empresas

Cinco vezes mais
entre 2008 e 2011, o número de estudantes matriculados em cursos presenciais de engenharia aumentou 67%, muito mais do que as inscrições nos demais cursos (11%)

O que mudar?
incluir disciplinas que incentivem o empreendedorismo e a solução de problemas práticos, como a liderança de equipes e inovação

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

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