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COP12 discute ponte para conectar ciência e governos

Muitos participantes dispersos pelos corredores da 12ª Conferência das Partes da Convenção de Diversidade Biológica (COP12 da Biodiversidade) passam a manhã deste sábado, dia 11, às voltas com propostas de diálogo entre comunidade científica e governos.

A iniciativa existe desde abril de 2012 e foi apelidada de Plataforma Intergovernamental Científico-Política sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos ou IPBES, sigla da versão em inglês “Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services”.

Cientistas e conservacionistas querem entender como os negociadores oficiais movimentam suas peças no xadrez diplomático.

E sugerir “lances” com base científica, considerando os impactos de cada parte dos acordos.

Trata-se de um esforço concentrado para reunir os melhores dados científicos que estabeleçam as relações entre a biodiversidade e os serviços ambientais fornecidos pelos ecossistemas – terrestres, marinhos, costeiros e de águas interiores – com consequências sobre o bem estar das pessoas.

Em bom português, a intenção é subsidiar da melhor maneira possível a tomada de decisões políticas, para que elas possam influenciar positivamente a dinâmica dessas relações entrebiodiversidade, serviços ecossistêmicos e pessoas.

Ou, pelo menos, evitar desastres irreparáveis.

Já é grande o risco de boas intenções, no papel, descambarem para efeitos adversos, na realidade, visto que tais relações são naturalmente complexas e, em muitos casos, mal foram decifradas, ainda estão em estudo.

Se o conhecimento disponível – científico e tradicional – não estiver na mesa dos negociadores, de forma organizada e coerente, aí o risco sobe às alturas!

Por isso, a IPBES é uma instituição intergovernamental independente, aberta a todos os países signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica.

Sua missão é reunir, ordenar, sintetizar, rever, dar acesso e avaliar criticamente, com transparência, as informações científicas sobre o estado da biodiversidade, dos ecossistemas e dos serviços ambientais providos à sociedade, em todo o planeta.

Indivíduos ou grupos são encorajados a levantar questões, dividir experiências, postar notícias relevantes ou trocar ideias em um fórum virtual.

Na COP12, a convocação para a reunião de sábado inclui tanto cientistas, como membros de comunidades tradicionais, técnicos governamentais e conservacionistas de organizações não governamentais, de todas as partes do mundo.

A intenção é dar seguimento ao trabalho iniciado por stakeholders europeus, reunidos em Basel, na Suíça, em setembro passado, de elaboração de estratégias para o período 2014-2018.

Para o começo dessa conversa, os europeus já estabeleceram os meios de comunicação e discussão via internet, de modo a facilitar a troca e a disseminação de informações, além de apoiar a capacitação, onde for necessária, e a formação de consenso nos encontros oficiais, como os previstos para a reunião ministerial da COP12, na próxima semana.

Que a ponte em construção leve ao melhor entendimento para conservar a biodiversidade da qual fazemos parte e os serviços ecossistêmicos dos quais tanto dependemos.

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