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Conhecimento precisa ser descentralizado

Além de atrair mais centros de pesquisa e desenvolvimento, o Brasil enfrenta o desafio de descentralizar a produção de conhecimento. A maior parte da estrutura de pesquisa – de empresas nacionais e multinacionais – está concentrada no Sul e no Sudeste do país. A fixação de projetos ligados à inovação é fundamental para tornar a economia regional mais dinâmica e criar empregos qualificados e de maior renda. Bons exemplos são os polos instalados no Nordeste, como o Porto Digital, no Pernambuco, e o de Salvador, na Bahia. “Quando decidimos instalar um centro global de inovação em Camaçari (Região Metropolitana de Salvador), começamos do zero. Tínhamos uma página em branco”, explica Rogelio Golfarb, vice-presidente de assuntos corporativos da Ford América do Sul.

A folha em branco significava falta de cultura automotiva, de massa crítica local para P&D no setor e problemas para conseguir mão de obra. “Mas iniciar algo novo também traz vantagens, porque nos dá uma visão diferenciada do processo de criação”, diz Golfarb.

Na estruturação do centro baiano, a Ford utilizou a experiência e mão de obra das duas unidades de pesquisa que mantém em São Paulo (São Bernardo do Campo e Tatuí). Também conectou o projeto à rede global da companhia. “Quando há ligação entre as estruturas, a localização do centro perde boa parte de sua importância. É como nadar em um oceano desconhecido ao lado de uma boa embarcação de apoio.”

A estratégia deu certo. Os pesquisadores que trabalham a partir de Camaçari lideram projetos globais, com destaque para o novo EcoSport, primeiro carro global desenhado no Brasil pela companhia. “O novo Ka é o próximo projeto de escala da equipe.”

Entre as parcerias locais que garantiram o sucesso da implementação do centro da Ford está o Senai Cimatec, que se tornou importante unidade de pesquisa e desenvolvimento nacional. Em 2002, quando instalou a unidade baiana, o Senai pretendia resolver problemas técnicos no sistema de manufatura, privilegiando segmentos com importância na matriz econômica do Estado.

Em uma década, a unidade se tornou um dos principais centros de inovação do país, atuando ao lado de instituições como o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) na estruturação da Empresa Brasileira de Pequisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Ao todo, o Senai Cimatec soma 31 projetos pela Embrapii, entre os concluídos e os em andamento. Só essa carteira soma mais de R$ 100 milhões em iniciativas de inovação. “A unidade se especializou em cadeias produtivas como a do plástico e a automotiva. Também tornou-se referência na formação de mão de obra qualificada e prestação de serviços técnicos para diferentes segmentos da indústria”, destaca Luis Alberto Brêda, gerente de núcleo estratégico do Senai na Bahia.

Segundo ele, dos 800 colaboradores do Senai Cimatec, cerca de 200 estão envolvidos diretamente em projetos de pesquisa e desenvolvimento e no suporte tecnológico. Entre os diferenciais, ele destaca a capacidade do centro em atuar com competências que podem ser aplicadas em diferentes cadeias produtivas. “A logística, por exemplo, é necessária em qualquer segmento. A multidisciplinaridade nos garante atuação mais eficiente na região, enquanto a especialização nos permite atuar em projetos nacionais e internacionais”, comenta.

Fonte: Valor Econômico

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