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Cientistas usam conhecimento em áreas pouco desbravadas para criar serviços

acadêmico, com forte formação em ciências, estão transformando em produtos seus objetos de estudo -às vezes, áreas que a pesquisa científica ainda está começando a desbravar.

A I.Systems, uma empresa que tem 12 funcionários e que funciona em cima de um salão de cabeleireiros em Campinas, foi o único investimento do fundo Pitanga -um grupo que tem entre seus sócios empresários como Guilherme Leal, da Natura, e Pedro Moreira Salles, do Itaú-Unibanco. O valor não foi divulgado.

“Eles são engenheiros, cientistas da computação e matemáticos que criaram um sistema para gerar regras automáticas para sistemas de lógica fuzzy”, explica o sócio-gestor do Pitanga, Fernando Reinach.

Lógica fuzzy é um estudo de conjuntos, explica Igor Santiago, 31, fundador e diretor-executivo da I.Systems. Se na matemática clássica um valor pertence a um conjunto ou a outro, na fuzzy um elemento pode ser intermediário, “dependendo com o que se compara”.

Ele dá um exemplo da aplicação do sistema que eles desenvolveram: calibraram o quanto de líquido as máquinas conseguem injetar em garrafas na esteira da Coca-Cola. “Estamos olhando outra aplicações nas áreas financeira e médica”, conta.

FRONTEIRA

Milton Mori diretor-executivo da Inova, a incubadora da Unicamp, afirma que tem notado uma tendência entre estudantes de ciências a ir para o mercado. “Um professor pesquisa um assunto durante anos, aí um aluno percebe algo que é inovador e tem potencial para negócios. Isso está acontecendo mais em áreas de fronteira do conhecimento”, diz.

A Finep, financiadora de estudos e projetos ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, tem editais específicos para empresas que estudam novas tecnologias, mas que, sozinhas, teriam dificuldade de lançar produtos.

Segundo a gerente Juliana Monteiro, a ciência é um processo que pode gerar ideias e resultados para diversos fins comerciais, mas para que isso aconteça é preciso subsidiar. Um financiamento recente, que no total chegou a R$ 24 milhões, foi para desenvolvedores de biotecnologias.

Uma das empresas que estão no páreo é a Novo Mel. Trata-se da empreitada da pesquisadora Beatriz Coelho Pamplona com seus três filhos. Pamplona já estudou como o mel pode combater bactérias que causam mau hálito, por exemplo.

O negócio concorre no edital com uma aplicação de própolis para proteger a pele do sol, radicalizando o efeito dos filtros solares.

Roberto Rehder, 36, um dos sócios (e um dos filhos de Pamplona), explica que usar própolis pode ser interessante porque é uma substância que, ao ser descartada na natureza, não causa muitos danos. Além disso, é bom ter várias opções de ingredientes para cosméticos porque os efeitos são muito variados de pessoa para pessoa.

“Fizemos um teste em um filtro solar comum que tinha um fator de proteção 9; com o própolis, passou para 14.”

Fonte: Folha de São Paulo

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