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Chips podem substituir animais em experimentos científicos

O sofrimento de ratinhos de laboratório, e outros animais expostos a inúmeros experimentos científicos em prol do desenvolvimento de novos remédios, pode estar próximo do fim. Institutos de pesquisa e grandes empresas da indústria farmacêutica já realizam testes de medicamentos em pequenos chips que são capazes de replicar as funções de órgãos humanos.

De acordo com o jornal Wall Street Journal (WSJ), a farmacêutica Merck, por exemplo, é uma das que conduz estudos em chips. A empresa conta com uma pesquisa especialmente focada na asma e, para isso, aplica uma série de medicamentos experimentais em um chip que simula o pulmão de uma pessoa que sofre com a doença.

O “chip de pulmão”, explica o WSJ, não replica absolutamente todas as funções do órgão que deseja imitar. É uma peça de silicone, com tamanho similar ao de um cartão de memória e conta com pequenos canais através dos quais passam o ar e fluídos.

Estes canais são revestidos por paredes formadas por tecido proveniente de um pulmão humano e vasos sanguíneos. Quando é aplicada uma espécie de sucção no local, esta parede simula o movimento que o órgão realiza durante a respiração. A partir das reações da pequena peça eletrônica, os cientistas tentam compreender melhor os mecanismos da asma.

Mas este é apenas um dos vários exemplos de testes científicos realizados em chips atualmente em andamento nos Estados Unidos. Em outro experimento, este realizado pela empresa GlaxoSmithKline PLC, os cientistas perceberam que as respostas obtidas pela aplicação a medicação nos chips era similar às recebidas por testes realizados em animais.

As vantagens que este tipo de método pode trazer à medicina vão além da proteção dos animais, nos quais a simulação de doenças como a própria asma, por exemplo, são muito difíceis. Ele pode tornar os testes mais eficientes, facilitando que os cientistas selecionem as substâncias que obtiveram o melhor desempenho no tratamento da doença em questão.

“Chip de pulmão”

O chip que tem sido usado em experimentos farmacêuticos foi revelado em 2010 pelo Wyss Institut for Biologically Inspired Engineering, da Universidade de Harvard. De acordo com o instituto, que desenvolve outros “órgãos em chip”, estes modelos de órgãos humanos podem ajudar os cientistas a melhor compreenderem doenças, auxiliando diretamente no seu tratamento.

Apesar de promissores, contudo, tais chips ainda encontram certa resistência por parte dos órgãos reguladores nos Estados Unidos. O principal entrave, pontuou o WSJ, é até que ponto os medicamentos aprovados por testes realizados em chips são seguros o suficiente a ponto poderem ser autorizados para experimentos em seres humanos.

Fonte: Exame

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