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Campo de futebol em favela absorve impacto de pisadas e gera eletricidade

Desde o mês passado, as partidas noturnas de futebol na favela do Morro da Mineira, no Rio, têm sido iluminadas, em parte, graças às pisadas dos próprios jogadores no campo de grama sintética.

Por baixo do gramado, foi instalado um sistema que transforma a energia cinética (do movimento) das equipes em energia elétrica.

O projeto, financiado pela Shell e idealizado pela empresa britânica Pavegen, também inclui painéis de energia solar. O mesmo princípio já tinha sido demonstrado numa estação de metrô de Londres durante as Olimpíadas de 2012 e numa corrida na França no ano passado.

Pelé compareceu à reinauguração do campo e lembrou que seu pai o batizou com o nome de Edson em homenagem ao inventor americano Thomas Edison (1847-1931), criador de uma das primeiras lâmpadas elétricas comercialmente viáveis.

A Pavegen não dá detalhes sobre o funcionamento das placas que foram instaladas no substrato do campo.

Segundo a empresa, no entanto, a superfície das placas, feita com borracha reciclada de pneus de caminhão, afunda 5 milímetros após as pisadas (veja quadro abaixo).

Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress

Depois disso, o “recheio” da estrutura, usando mecanismos como o chamado efeito piezoelétrico (a geração de cargas elétricas a partir da pressão sobre um material), transforma a energia cinética dos jogadores em eletricidade, que é armazenada em baterias de lítio, semelhantes às que existem em um laptop comum.

Essa energia pode ser utilizada de imediato ou ficar disponível para uso por até três dias, de acordo com a empresa britânica.

A Pavegen diz que a tecnologia pode ser uma alternativa para a iluminação urbana no futuro, embora o custo de fabricação de cada placa ainda seja cerca de US$ 500.

“É mais uma curiosidade. Existem várias iniciativas desse tipo envolvendo energia cinética, usando até quebra-molas de veículos”, diz Roberto Zilles, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP.

“A questão é que você não tem tanta energia assim na sua pisada”, explica Ricardo Rüther, do Grupo de Pesquisa Estratégica em Energia Solar da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).”Não dá para tirar leite de pedra –há limites para a conversão de energia que é possível a partir da pisada.”

Também não valeria a pena encher as calçadas das grandes cidades de todo o mundo com as placas e conectar todas elas numa rede, uma vez que o gasto de energia para colocar o sistema de pé seria muito maior do que a energia que seria produzida com ele, explica Rüther.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

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