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Brasil sofre para prover serviços básicos de computação em nuvem

O fosso digital entre as nações ganhou um novo componente – um relatório da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad), divulgado no final do ano passado, sustenta que a carência de energia e banda larga confiável e custeável, e a consequente baixa proporção de data centers, estão deixando os países pobres e mesmo os remediados para trás. Adicionem-se a existência de backbones em fibra óptica e a disponibilidade de pontos de interconexão internacional de dados.

“De fato, o abismo está aumentando em disponibilidade de infraestrutura relacionada à computação em nuvem nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Banda larga [financeiramente] acessível continua longe do satisfatório, além disso, a maior parte dos países de baixa renda se vale das redes móveis de banda larga, que são caracterizadas por baixas velocidades e grandes latências – e, portanto, nada ideais para a oferta de serviços em nuvem”.

A partir de dados dos últimos três anos, a Unctad enfileirou os países de acordo com sua capacidade de oferecer serviços avançados a partir da computação em nuvem. Há 43 nesse time de norte-americanos, europeus e asiáticos prósperos. A maior parte, 61 nações, está no meio do caminho. O Brasil está nesse grupo, que sofre principalmente com baixas velocidades de upload e, por isso, não vai além dos serviços básicos em cloud. Outros 34 sequer estão no jogo.

“O maior grupo consiste de 61 economias que atendem pelo menos os requerimentos mínimos para serviços básicos em nuvem. Inclui nove economias desenvolvidas, sete em transição, além de seis economias da África, 18 da Ásia e Oceania e 20 da América Latina e Caribe. O principal gargalo que impede o avanço para o próximo nível é o patamar esperado das velocidades de upload, que mais de 90% das economias falha em atingir, seguido da latência.”

As nações desenvolvidas, destaca a Unctad, concentram 85% dos datacenters que oferecem serviços de co-location. Segundo o relatório ‘A economia da nuvem e os países em desenvolvimento’, havia já em 2011 cerca de mil vezes mais servidores por milhão de habitantes nos países de alta renda do que nas economias menos desenvolvidas. Para a Unctad, a combinação de poucos datacenters ‘nacionais’ e altos custos de comunicações internacionais em banda larga são obstáculos críticos para a computação em nuvem.

A penetração da banda larga fixa é claramente um ponto fundamental. Segundo o relatório, a média é um pouco superior a 28 acessos em cada grupo de 100 habitantes nos países desenvolvidos. A proporção cai para 6 em 100 nas nações em desenvolvimento e apenas 0,2 por 100 nas nações mais pobres. Mesmo a banda larga móvel – que não chega a ser considerada adequada para a ‘nuvem’ – tem cenário semelhante: 67 por 100 entre os ricos, 14 por 100 nos remediados e menos de 2 por 100 nos muito pobres.

Além de defender investimentos nas condições de oferta e na infraestrutura, o relatório da Unctad reforça a necessidade de que sejam endereçadas questões regulatórias. “Embora não seja imperativa a adoção de leis específicas para a computação em nuvem, algumas reformas-chave incluem privacidade, proteção de dados, segurança da informação e cibercrime.” Nas contas da entidade, cerca de 99 países contavam com legislações relacionadas à privacidade de dados em 2013 – sendo o México talvez o único exemplo de lei específica para a ‘nuvem’. O relatório completo pode ser conferido em unctad.org.

Fonte: Convergência Digital

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