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Brasil pode ficar de fora da corrida tecnológica, afirma Reis Velloso

O mundo passa por uma nova revolução industrial, e o Brasil pode ficar mais uma vez à margem do progresso tecnológico. Esse será um dos temas abordados na sessão especial do Fórum Nacional, que será realizada nos próximos dias 10 e 11. A necessidade de investimento em inovação é crucial para que o país recupere o atraso nessa corrida internacional, aponta o ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso, responsável pela organização do fórum.

A sessão especial é um complemento da 26ª edição do Fórum Nacional, ocorrida em maio deste ano. O evento terá um tema duplo: “Visões do Desenvolvimento Brasileiro e Nova Revolução Industrial, a maior desde 1790”. Reis Velloso será um dos palestrantes na abertura do evento, que acontecerá na sede do BNDES. Ele fará uma apresentação embasada em um estudo do Massachusetts Institute of Technology (MIT), que trata do novo ciclo da industrialização.

MIT: ESTUDO NORTEIA DEBATE

Os pesquisadores do MIT, entre eles Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee, afirmam que a nova revolução industrial se apoia em três pilares: o avanço da capacidade dos computadores, a universalização da informática — com a imensa quantidade de informação digitalizada — e os saltos na inovação. A tese foi resumida no livro “The second machine age” (“A segunda era das máquinas”, em tradução livre), de autoria dos dois pesquisadores.

O primeiro pilar que a equipe do MIT descreve no estudo se refere à capacidade cada vez maior de os computadores tomarem decisões, com o avanço da chamada inteligência artificial. O segundo está relacionado à globalização da comunicação, com a possibilidade de transmissão de dados a praticamente todo o planeta. E o terceiro encontra destaque na nanoeletrônica, considerada a fronteira tecnológica em termos de inovação.

Embora seja um fenômeno mundial, essa nova fase da revolução industrial vem ocorrendo especialmente nos Estados Unidos e na Europa. Uma das explicações para isso é que, nas últimas décadas, a indústria desses países se deslocou para as nações emergentes, em busca de custos menores. Mas, nos últimos dez anos, os custos trabalhistas nos emergentes — China inclusive — aumentaram. Mais recentemente, surgiu uma pressão política para que as fábricas retornassem a seus países de origem, de modo a dinamizar as economias europeia e americana, que sofreram um baque com a crise econômica global a partir de 2008.

— O Brasil corre o risco de ficar de fora dessa corrida tecnológica. O governo nem sabe o que está acontecendo lá fora. É preciso, entre outras medidas, investir mais em inovação — avalia Reis Velloso.

MOBILIDADE URBANA NA PAUTA

Além dessa discussão, o fórum trará a visão de cada candidato à Presidência sobre o desenvolvimento nacional. Estão confirmados o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, representando Dilma Rousseff (PT); o economista José Roberto Mendonça de Barros, representando o candidato Aécio Neves (PSDB); e Maurício Rands, coordenador do programa de governo de Marina Silva (PSB).

Haverá ainda um painel sobre a vida nas favelas, com líderes comunitários, e outro sobre o futuro das cidades, em que serão debatidos temas como mobilidade urbana e dimensão cultural das regiões metropolitanas.

Fonte: O Globo

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