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Bolsista no exterior leva mais tempo para se formar no Brasil

Os estudantes de graduação do Ciência sem Fronteiras (programa federal de bolsas de estudo no exterior) podem levar um ano a mais para se formar no Brasil. Isso porque as universidades brasileiras não reconhecem as disciplinas feitas fora do país.

No Brasil, todas as universidades –públicas e privadas– têm grupos de disciplinas obrigatórias nos seus cursos. O modelo é diferente do de outros países.

Nas universidades dos EUA, por exemplo, os alunos escolhem, com ajuda de um tutor, as disciplinas que querem cursar.

O estudante de medicina Edvan Camilo Filho, da UFC (Universidade Federal do Ceará), é um dos alunos que levarão um ano a mais para se formar. Serão sete anos até obter o diploma de médico.

Apesar de ter participado de um grupo de estudos de ponta em neurologia nos EUA e ter feito estágio em uma das UTIs neurológicas mais conhecidas do mundo, da Cleaveland Clinic, em Ohio, ele ainda terá de fazer as disciplinas do 4º ano do curso de medicina aqui no Brasil.

Já o estudante de biotecnologia Tarsius da Silva Souza, da UFPA (Universidade Federal do Pará), teve mais sorte.

A UFPA criou uma comissão para estudar o caso do aluno, que cursou disciplinas que não “existem” no Brasil na Kent State University, em Ohio. Como resultado, ele conseguiu crédito de três das seis disciplinas que teria de fazer neste ano.

“A maioria das universidades nem analisa o caso dos alunos que regressam ao país”, diz Helena Nader, presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).

BATATA QUENTE

Foi a entidade que organizou o encontro entre ex-bolsistas e dirigentes do programa federal durante a reunião anual da SBPC que acontece no Recife.

“As universidades brasileira têm de se modernizar e aprender a reconhecer as disciplinas de outras universidades”, afirma Glaucius Oliva, presidente do CNPq –principal agência de financiamento à ciência e uma das responsáveis pelo programa.

Conforme a Folha apurou, as universidades estão “contrariadas” por não terem participado da discussão do Ciência sem Fronteiras. De fora de todo o processo, acabaram recebendo a “batata quente” agora e não sabem como agir.

“As universidades receberam os estudantes de volta sem se preparar e não sabem o que fazer”, disse uma fonte do governo federal.

Até o final do ano, o programa pretende chegar a 50 mil estudantes de graduação e de pós-graduação enviados ao exterior.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

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