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BNDES aprova empréstimos para inovação em microempresas

Em menos de dois meses o programa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para estimular a inovação nas micro, pequenas e médias empresas (MPME) já aprovou quatro operações de financiamento de R$ 18,86 milhões.

O MPME Inovadora, com orçamento inicial de R$ 300 milhões, foi lançado no início do ano, mas só começou a rodar em junho. O intervalo foi para que os bancos absorvessem a ideia, já que o programa é operado de forma indireta, via agentes financeiros. As informações são da gerente do departamento de financiamento da área de operações indiretas do BNDES, Paola Goulart. A ideia do MPME Inovadora é assessorar empresas com faturamento anual de até R$ 90 milhões a dar continuidade ao processo de inovação.

Segundo Paola, o banco identificou que já existiam instrumentos suficientes para apoiar o processo inicial da inovação, que inclui o desenvolvimento de protótipos. O foco do BNDES com o programa é apoiar uma segunda etapa, fazendo o produto chegar ao mercado.

Podem se candidatar empresas que tenham feito investimentos em serviços tecnológicos pelo Cartão BNDES desde 2011. Estão habilitadas também as que tenham usado os programas do Sibratec, operado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); Sebratec, operado pelo sistema Sebrae ou o Senai-Sesi de Inovação. Empresas com patente concedida ou pedido de patente válido de 2011 para cá também são elegíveis.

O maior volume do MPME Inovadora, R$ 15,5 milhões, foi para a Geociclo Biotecnologia, empresa mineira que produz e comercializa aditivos biológicos para a aceleração da degradação de matéria orgânica. Os recursos serão utilizados para ampliação da capacidade produtiva do negócio, que tem capacidade de fabricar 25 mil toneladas do insumo por ano.

Na área de tecnologia da informação, a Paradigma Business Solutions deve receber R$ 2 milhões se a operação for contratada, para consolidar tecnologia na área de software. Ela atua principalmente desenvolvendo tecnologias para o uso da internet como meio principal de comunicação e negociação. Apesar dos valores relativamente altos desses projetos, Paola explica que o mais frequente devem ser operações menores, como o financiamento de R$ 500 mil à Boreste Sistemas. A empresa catarinense vai usar os recursos para produzir sistemas de controle de irrigação.

A outra empresa com financiamento aprovado no programa foi a Catamoedas, micro empresa catarinense que produz máquina de troca de moedas por cupons, pontos ou doação a entidades carentes. Os recursos serão usados na construção de protótipos em tamanho reduzido, para estabelecimentos de pequeno porte.

O BNDES tem diversos instrumentos de financiamento a MPMEs, mas uma dificuldade é fazer os recursos chegarem de fato às empresas, já que os repasses geralmente são feitos de forma indireta. O diferencial do MPME Inovadora, diz Paola, foi o esforço que o banco fez com os agentes financeiros para disseminar o produto. “Hoje o banco tem dificuldade de chegar nas micro, pequenas e médias empresas porque não tem capilaridade. Nossa preocupação foi dar o acesso às empresas, conversamos com agentes financeiros e empresas”, explicou Paola.

Por enquanto os agentes mais ativos no programa são os bancos de fomento e agências de fomento estaduais. “Elas têm estrutura menor, a informação se propaga mais rápido. No banco comercial o processo de aprovação de um financiamento às vezes é mais longo, bancos privados às vezes têm programas próprios. Mas tentamos trabalhar com todas as instituições.” O BNDES também trabalhou na diversificação de opções de garantias, que podem ser um gargalo para os repassadores de crédito. Os agentes financeiros são incentivados a usar o Fundo Garantidor do Investimento (FGI), operado pelo BNDES. Das quatro operações aprovadas, três tem FGI.

“O BNDES também pediu que agentes buscassem outras garantias, como as pessoais”, disse. Para ela, há oportunidade enorme de convergência do programa com outras áreas do banco. “Empresas atendidas pelo Criatec [fundo de capital semente do banco] podem se beneficiar do programa”, exemplificou.

O programa também pode apoiar MPMEs com capital de giro de empresas localizadas em parques tecnológicos e incubadoras ou que tenham, em sua composição societária, fundos de investimento em participações e/ou fundos mútuos de investimento em empresas emergentes, regulados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Fonte: Valor

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