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‘Big data’ impõe novas questões éticas em pesquisas científicas na internet

“Estados emocionais podem ser transferidos a outros via contágio, induzindo essas pessoas a experimentar as mesmas emoções sem que tenham consciência.”

Logo a primeira frase de um estudo liderado pelo Facebook mostra por que críticos da rede reclamaram do experimento, uma vez que usuários tiveram suas emoções “contagiadas” a partir de mudanças em suas “linhas do tempo”, sem saberem.

Ao todo, 689.003 perfis de usuários de língua inglesa serviram de cobaias sem consentimento expresso de seus donos –cerca de 1 em cada 2.500 participantes da rede.

Feito em janeiro de 2012, o estudo consistiu em apresentar a algumas pessoas, durante determinado período, apenas conteúdo positivo. Outra parte da amostra teve acesso só a conteúdo negativo.

Os testes deram base a um artigo no periódico científico “PNAS” (em bit.ly/estudoFB).

Apesar de brasileiros não terem sido incluídos na pesquisa, já que foram selecionados apenas falantes de língua inglesa, esse tipo de experimento feriria as regras específicas do país.

Desde 1996, com a resolução 196, o Conselho Nacional de Saúde determina que pesquisas com seres humanos precisam de autorização “livre de vícios (simulação, fraude ou erro), dependência, subordinação ou intimidação”.

Também deve haver “explicação completa e pormenorizada sobre a natureza da pesquisa, seus objetivos, métodos, benefícios previstos, potenciais riscos e o incômodo que esta possa acarretar”.

“Mas o ‘big data’ impõe novos desafios para os pesquisadores”, afirma Christian Dunker, professor livre-docente de psicologia na USP.

Ele explica que, enquanto grandes quantidades de dados possibilitam pesquisas antes impossíveis, são colocadas questões éticas que antes não existiam. Esse estudo exemplifica o problema.

O Facebook tem uma divisão responsável por esse tipo de teste desde novembro de 2007, a “data science team” –”equipe de ciência de dados”, em português–, que na época da pesquisa era liderada pelo cientista da computação Cameron Marlow, doutor pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts).

Antes de deixar a empresa, ele publicou artigos demonstrando descobertas feitas a partir de sua base de dados. “É a primeira vez que o mundo vê essa escala e quantidade de dados sobre comunicação humana”, disse, em 2012, à revista “MIT Technology Review”.

Fonte: Folha

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