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Baixo apoio público e ausência de bons planos atrapalham inovação

Falta de organização do poder público e incentivos insuficientes são alguns dos principais obstáculos no meio do caminho do empresário brasileiro rumo à inovação. Mas não é só fora da empresa que estão os problemas: falta de estímulo, de lideranças e mesmo de bons planos de negócios para a inovação são alguns dos problemas que pesam muito mais na vida do brasileiro do que na de profissionais de outros países.

Estas são algumas das conclusões apontadas por um panorama feito pela GE sobre a percepção de empresários de diferentes regiões do mundo com relação à inovação em seu país, intitulado “Barômetro da Inovação Global”. A pesquisa, em sua quarta edição, entrevistou 3,2 mil altos executivos em 26 países, entre abril e maio, sendo 200 deles no Brasil.

“Naturalmente, em qualquer país onde há muita burocracia, caso do Brasil, tudo é mais difícil, o que segura a inovação”, diz o presidente da GE para a América Latina, Reinaldo Garcia. “Mas há elementos culturais também. O brasileiro é excelente para improvisação, mas falta disciplina, que é o que fará com que aquela inovação deixe de ser improvisada para ser repetitiva e sustentável.”

Segundo a pesquisa, a incapacidade de levar as inovações da empresa para mercados mais amplos ou ao mercado internacional foi o elemento inibidor com o qual mais empresários se identificaram no Brasil – 34% dos brasileiros assinalaram esta como uma dificuldade, enquanto nos demais 25 países pesquisados a média para esse item é de 24%. A inércia e a pouca agilidade para converter as ideias em ações foram citadas por 31% dos executivos brasileiros, sendo que 29% deles sentem dificuldade de definir modelos de negócios que incentivem a inovação dentro da companhia e também a torne lucrativa. Na média global, o resultado para estes itens foi 17% e 18%, respectivamente.

Na esfera pública, a percepção brasileira também destoa do restante do mundo. Quando perguntados se o apoio das autoridades públicas à inovação das empresas é o suficiente, apenas 29% responderam positivamente, a terceira pior marca entre os 26 países analisados, à frente apenas da Polônia (onde 20% consideram o apoio público satisfatório) e a Itália (9%). A média global neste quesito é de 47%, com Cingapura (83%), China (77%), Arábia Saudita e Emirados Árabes (73%). Quando perguntados se esse apoio dado pelo governo é eficiente e organizado, apenas 17% dos brasileiros aprovaram, ante 40% no resultado médio global.

“A ideia de inovar e comercializar essa inovação não foi uma coisa que ganhou espaço com muita pujança no Brasil ao longo do século 20, mas eu vejo isso mudando”, disse Garcia, que inaugurou há pouco mais de um mês o primeiro centro de pesquisa e desenvolvimento da GE na América Latina, no Rio, acoplado à Universidade Federal do Rio de Janeiro e com ênfase no desenvolvimento de soluções voltadas para a exploração de óleo e gás em águas profundas.

“O pré-sal é uma coisa que só o Brasil tem e que pode levá-lo a exportar tecnologia para outros países”, diz. O plano de investimento inicial era de US$ 250 milhões até 2020, mas foi dobrado para US$ 500 milhões.

“No passado quase não havia centro de pesquisa no Brasil, e isso começa a mudar, com o setor privado e comercial em parceira com universidades se unindo para buscar soluções e torná-las comercialmente sustentáveis. Em 20 anos, esse país vai estar muito diferente em inovação”, acredita ele, que entende que em alguns anos o mundo emergente como um deverá se tornar exportador e não apenas receptor de tecnologia.

Fonte: Valor

 

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