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Área plantada com transgênicos no mundo cresceu 3,5% em 2014

O cultivo de organismos geneticamente modificados (OGMs) voltou a bater recorde ao redor do mundo em 2014. Levantamento do Serviço Internacional para Aquisição e Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), divulgado ontem, revelou que o plantio de variedades transgênicas cobriu 181,5 milhões de hectares no ano passado, elevação de 3,5% (ou 6,3 milhões de hectares) em relação a 2013.

“Os números indicam que os transgênicos seguem crescendo de forma persistente e deixam claro que agricultores mundo afora continuam a perceber os benefícios da adoção dessas tecnologias”, disse Anderson Galvão, representante do ISAAA no Brasil, em teleconferência com jornalistas. Conforme a entidade, 18 milhões de produtores, em 28 países, semeiam culturas geneticamente modificadas.

Os EUA permaneceram na liderança, com o plantio de 73,1 milhões de hectares com geneticamente modificados em 2014. Assim, detêm pouco mais de 40% da área global com essas tecnologias. “Apesar de serem um mercado maduro, os EUA registraram o maior avanço em termos absolutos, com um acréscimo de 3 milhões de hectares em relação a 2013”, afirmou Galvão.

O Brasil continuou na segunda colocação, com avanço de quase 2 milhões de hectares, para 42,2 milhões de hectares – a maior parte dedicada à soja, de acordo com o ISAAA. Nas contas da entidade, 93,2% da área plantada com soja no Brasil é transgênica, enquanto no milho o alcance é de 82,4%, e no algodão, 65,1%.

Entre as tecnologias mais empregadas, o destaque ainda ficou por conta das variedades com tolerância a herbicidas, presentes em 24,7 milhões de hectares, ou 58,5% do total semeado com geneticamente modificados no país. Entretanto, o ISAAA chama a atenção para o avanço de tecnologias combinadas (que agregam tolerância a herbicidas e resistência a insetos), espalhadas por 12,6 milhões de hectares em 2014, à frente dos 8,2 milhões do ano anterior.

Conforme Galvão, cresce a expectativa de ampliação no portfólio de culturas transgênicas liberadas no Brasil, com um feijão resistente a vírus, esperado para 2016. Os “traits” (eventos transgênicos) de tolerância à seca também devem avançar. Houve crescimento expressivo do milho com essa tecnologia nos EUA em 2014/15, para 300 mil hectares, em relação aos 50 mil hectares da safra anterior. “Na Indonésia, também foi aprovada no ano passado uma cana tolerante à seca”, lembrou.

Na avaliação do representante do ISAAA, o mercado global de transgênicos passa por uma fase de consolidação no curto prazo, mas tem grande potencial de crescimento nos próximos cinco a dez anos. A principal oportunidade é com o milho na Ásia. “A China tem potencial de cultivar 35 milhões de hectares com o grão geneticamente modificado, e está avançando nas pesquisas”, disse Galvão.

Desde 1995, quando começaram a ser cultivados, até 2014, os transgênicos proporcionaram redução global de 37% no uso de defensivos agrícolas e 68% de incremento na renda média dos agricultores, nos cálculos do ISAAA. Houve também elevação de 22% na produtividade das culturas transgênicas nesse período.

Fonte: Valor

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